quarta-feira, 28 de outubro de 2015

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO

 
O Orçamento Participativo 2015 da Câmara Municipal de Lisboa está em fase de votação até 15 de Novembro próximo.
Dada a sua importância para o futuro da Tapada das Necessidades, o GATN vem propor a votação no projeto 133 que promove medidas de segurança para a Tapada das Necessidades, com o custo de 150.000,00 Euros e o prazo de execução de 12 meses.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cinco Guardiões

Cruzámo-nos, na tarde de Verão, com cinco guardiões da tapada das Necessidades que saudamos: os gansos, que entre o lago e o relvado, fazem a sua ronda.

Tapada das Necessidades: O Problema da Insegurança

O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades reuniu esta segunda feira, perto do edifício, integrante do complexo de antigos equipamentos, para investigação agrónoma, da Tapada,  o qual sofreu um incêndio na semana passada, trazendo mais insegurança para os frequentadores deste espaço verde, que podia ser de facto um oásis na cidade, se a Câmara Municipal de Lisboa, entidade que assumiu a sua gestão, assegurasse o controle da portaria da Rua do Borja.
A reflexão produzida, será alvo de documento a entregar, brevemente, às autoridades autárquicas.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Carta da "Plataforma em Defesa das Árvores" ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa


Exmo. Senhor
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Medina


Face à onda de intervenções radicais e devastadoras que as árvores de Lisboa têm sofrido nas últimas semanas - empreitadas de poda, abate e substituição de árvores de alinhamento e de jardim um pouco por toda a cidade, de Alvalade à Estrela, das Avenidas Novas a Arroios, da Graça à Ajuda, com menor ou maior grau de intensidade e número de árvores objecto das mesmas, com mais ou menos gravidade e grau de irreversibilidade, sob esta ou aquela justificação, não poucas vezes caricata, e outras tantas por razões que a razão desconhece - considera esta Plataforma recém-constituída ser seu imperativo dirigir-se ao novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, uma vez que nos parece ser tempo de se virar de página e da cidade partir para outro paradigma.

Porque entendemos que quando estão em causa valores tão nobres e elementares como a preservação de um património que temos a obrigação de legar às gerações vindouras, o direito à informação, os afectos, o respeito por todas as formas de vida, a qualidade de vida  e o bem-estar da população; ficar-se calado não serve!


É verdade que esta insensibilidade e este menosprezo pelo indispensável contributo dado pela árvore à cidade e por aqueles que as defendem não são de agora. Todos nos lembramos da destruição massiva de jacarandás nas transversais à Avenida da República e dos 153 plátanos abatidos nem há 10 anos no Campo Pequeno porque havia que implementar determinado projecto de paisagismo. Ou do “vendaval” no Vale do Silêncio, as “desmatações” de Monsanto e a “requalificação” do Príncipe Real, só para enumerarmos algumas reconhecidas más práticas. Mas é neste preciso momento que o flagelo assume proporções inauditas, com o confluir de uma série de constatações e de procedimentos menos claros (por exemplo, ajustes directos através dos quais é diagnosticado o estado do arvoredo - que compete aos serviços municipais e após parecer do Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida – e se procede aos abates e às podas, e posteriormente ainda dentro do mesmo ajuste, se vendem os espécimes de substituição - cuja determinação a competência continua na esfera do Município e não das Juntas), a que importa obviar de uma vez por todas, Senhor Presidente, a saber:

As árvores não são podadas nem conservadas nem tratadas, quando doentes. Antes se mutilam, agridem, abatem e substituem como se fossem objectos de decoração descartáveis e sujeitos à ditadura da última moda, nem sequer respeitando a época mais propícia para as árvores e para a bio-diversidade que albergam. Há árvores de primeira (as estruturantes) e de segunda (as de alinhamento).

Não existem jardineiros, mas abundam os curiosos e os madeireiros de serra em punho, cujas intervenções deveriam ser adjudicadas com transparência, critério e sem conflitos de interesse, tantas vezes ao arrepio dos pareceres fitossanitários de entidade idónea e, ultimamente, ao abrigo do não exercício da prorrogativa de declarar esta temática como estruturante, delegando nasJuntas de Freguesia de forma a nosso ver errada e contraproducente,transferindo direitos a nível da gestão do arvoredo, mas esquecendo-se de transferir as boas práticas já regulamentadas, logo agora que aquelas ainda estão numa fase de auto-afirmação e de delimitação de território.

Continuam a não ser aplicados e cumpridos o Regulamento aprovado pela AML (51/AM/2012), que resultou da deliberação 102/CM/2009, nem o Despacho do 60/P/2012 do Senhor Presidente de CML de então, mas quando há um parecer sério que indica a necessidade de abater determinada árvore, logo esse mesmo parecer serve para uma dúzia de outras sãs.

Perdeu-se a boa-prática de consulta preferencial ao LPVVA, preferindo-se o parecer de empresas que depois procedem elas próprias à poda e ao abate no que se configura como procedimento a carecer de sindicância.

Cultiva-se a ignorância, acenando com pragas e alergias, velhice excessiva das árvores (quando árvores com 60 anos devem ser consideradas jovens),cataclismas inevitáveis e a corrosão da chapa. Alimenta-se o ódio instalado ao choupo, cipreste, plátano, freixo e, quiçá a breve trecho, à tília, à tipuana e ao jacarandá! Não se percebe de onde vêm os novos espécimenes que se plantam, mirrados e sem copa frondosa previsível que não por várias décadas, nem para onde vai a lenha que resulta de tudo isto. De uma assentada, como no caso recente da Av. Guerra Junqueiro, destrói-se a imagem até agora inalterável de um arruamento histórico com 60 anos.

Por isso esta nossa carta dirigida a V. Exa., Senhor Presidente, porque temos esperança que a sua juventude signifique irreverência, sensibilidade e vontade indómita em querer mudar o status quo que muitos presidentes antes não conseguiram mudar, pelas razões que cada qual saberá.

Os regulamentos existem e bastará cumpri-los, pois têm matéria suficiente para que os procedimentos de poda, abate e substituição de arvoredo se traduzam em boas práticas de arboricultura, motivo de orgulho para esta cidade, em contraponto com tantas outras onde continuam a aceitar práticas retrógradas, baseadas em mitos e inverdades.  Não aceitamos que Lisboa possa ser referida como um dos piores exemplos de gestão do arvoredo do país, quando tem todas as condições para ser exactamente o oposto, desde que corrija o que é preciso corrigir.

Estamos, como sempre estivemos, disponíveis e empenhados em colaborar com a CML e com o seu Presidente e os seus Serviços para que consigamos esse desiderato.

Conte connosco!

Lisboa, 26 de Maio de 2015


recém-formada

"Plataforma em Defesa das Árvores":
Associação Árvores de Portugal
Associação Lisboa Verde
Fórum Cidadania Lx
GEOTA-Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
Grupo de Amigos do Príncipe Real
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
Grupo Ecológico de Cascais
Liga dos Amigos do Jardim Botânico
Plataforma por Monsanto
Quercus

sábado, 18 de abril de 2015

PRIMEIRA CRIAÇÃO DE GANSOS NA TAPADA DAS NECESSIDADES (Abril de 2015)

domingo, 12 de abril de 2015

Lisboa Vai ao Parque

LISBOA VAI AO PARQUE é um programa da CML gratuito, com diversas atividades lúdico-desportivas que decorrerá nos parques e jardins de Lisboa, durante os meses de Abril a Outubro (com interrupção no mês de Agosto). mais informações www.cm-lisboa.pt
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ATIVIDADES
Ginástica \Judo \Karaté \Danças \Yoga \Corrida \Jogos tradicionais \Gincanas de bicicleta \Musica \Desportos com bola \Rastreios de saúde \ Atividades com cavalos e segways \Pinturas faciais \Modelagem de balões\ Animações \Caminhadas \Ações de sensibilização ambiental

LISBOA VAI AO PARQUE
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Tapada das Necessidades - Freguesia da Estrela
11 Abril, 2 e 23 Maio, 13 Junho, 4 e 25 Julho, 19 Setembro, 10 e 31 Outubro
PROGRAMA
\\ Sábados 15h00 às 19h00




OUTROS LOCAIS:
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Parque do Vale Silêncio Freguesia dos Olivais
18 Abril, 9 Maio, 20 Junho, 11 Julho, 5 e 26 Setembro, 17 Outubro
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Estádio Universitário Lisboa
30 e 31 Maio
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Parque Quinta das Conchas Freguesia do Lumiar
25 Abril, 16 Maio, 6 Junho, 18 Julho, 12 Setembro, 3 e 24 Outubro
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Parque Recreativo do Calhau Freguesia de São Domingos Benfica
11 Abril, 2 e 23 Maio, 13 e 27 Junho, 4 e 25 Julho, 19 Setembro, 10 e 31 Outubro
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Parque Recreativo do Alvito Freguesia de Alcântara
18 Abril, 9 Maio, 20 Junho, 11 Julho, 5 e 26 Setembro, 17 Outubro
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Parque Urbano do Tejo e Trancão Freguesia do Parque das Nações
25 Abril, 16 Maio, 6 e 27 Junho, 18 Julho, 12 Setembro, 3 e 24 Outubro

PROGRAMA
\\ Sábados 15h00 às 19h00

quinta-feira, 19 de março de 2015

O RAMAL DAS NECESSIDADES DO AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES





O RAMAL DAS NECESSIDADES DO AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES


A monumentalidade  do Aqueduto das Águas Livres no atravessamento do Vale de Alcântara com os seus 35 arcos, cujo maior atinge  a   altura de 65 metros.



A  ideia de construir um Aqueduto que pudesse transportar água até Lisboa remonta  ao século III, existindo   ainda hoje alguns vestígios da barragem romana de Olissipo, uma das maiores      da Península     Ibérica, situada no Vale de Carenque, em Belas. No entanto,  até ao século XVIII, Lisboa era abastecida pela  água de poços, cisternas e alguns chafarizes medievais. Foi   a    necessidade    imperiosa    de resolver  as crises cíclicas de falta de água, que levou D. Sebastião, em   1571, a decidir  transportar    a água    a partir do mesmo  local onde     os  romanos  teriam    supostamente    construído    o     seu Aqueduto, projeto    que    foi    abandonado    devido  a  vicissitudes diversas, incluindo a própria morte do monarca.

Em 1731, D. João V assinou finalmente o   alvará que    autorizou a construção   do   Aqueduto   das   Águas Livres, curiosamente  indo buscar a água às mesmas   nascentes, na   Quinta    da Água Livre, atravessada pela Ribeira de Carenque, já  utilizadas pelos romanos. As obras, que  puseram  fim   a  sete  séculos de escassez de água, tiveram início   no   ano seguinte  e demoraram 102 anos a estarem concluídas (1732 -1834) . Foi preciso   esperar    por    1748 para que as primeiras águas chegassem á cidade e por 1834 para     que o Aqueduto estivesse terminado,  contendo por isso a marca de cinco monarcas – D. João V, D. José I, D. Maria I, D. Pedro V e D. Maria II – e de seis mestres principais, Manuel da Maia, Custódio Vieira, Carlos Mardel, Miguel Blasco, Reinaldo dos Santos e Miguel Francisco Cangalhas.

O Aqueduto das Águas Livres, com uma extensão aproximada de 14Km. ,  mais os aquedutos tributários com  aproximadamente 34 Km. e as condutas    para os chafarizes com 12 Km., o que perfaz cerca de 60 Km    de   extensão total, foi perdendo  gradualmente importância funcional, até ser oficialmente seco em1967.

Para a sua construção   foi    usada     uma    tecnologia avançada, absolutamente excecional para a época, que permitiu   que a água fosse transportada   por ação   da força   da   gravidade   desde as nascentes, em Belas, a uma quota de 178.98 metros, até Lisboa, à quota de 94.35 metros.

Essa    tecnologia,   bem    patente     na     monumentalidade     do atravessamento do Vale de Alcântara   com os seus 35 arcos, cujo maior atinge a altura de 65 metros, mas também    pela    beleza  e  funcionalidade  dos 56 chafarizes   ainda hoje   existentes, permitiu   que  o Aqueduto não tivesse sido afetado pelo terramoto de 1755.


No entanto, a grande dimensão da secção  das suas galerias, que   para    mais   frequentemente     se      encontravam acima do solo,   resultou   no  que seria um forte   espartilho     para   a evolução da cidade. Por esta razão, o Aqueduto cedo foi sofrendo    sucessivas demolições logo    a partir do início    do século XX, apesar   de   se   tratar   de  um Monumento Nacional, consagrado e  protegido  pela lei como tal desde 1910. (1)

Está neste caso o Ramal    das Necessidades, amputado em  1955 para a abertura da Avenida Infante Santo.



O Ramal ou Galeria das Necessidades






Arcos do Aqueduto   das   Águas Livres, pertencentes ao Ramal das Necessidades, no    Alto     da     Cova   da Moura, demolidos    para  construção da Avenida Infante Santo.



A água, era  essencial para  a    Tapada   das Necessidades.  Como cerca conventual de produção  e   jardim    de traçado barroco   com      fontes e lagos, não teria    sido    possível  a sua manutenção sem a chegada   da    água    em    grandes    quantidades   pelo Aqueduto das   Águas   Livres .

Face   á    insuficiência   da   água na cerca, os Padres Oratorianos, a quem tinha sido cedida por D. João V   a ocupação do convento e respetiva    cerca,  solicitaram   ao    Rei D. José I      que      fossem    abastecidos  pelo Aqueduto das Águas Livres . Embora   contestada pelo povo, a galeria das Necessidades  foi construída   no    final do séc. XVIII.


A Mãe-de-Água ou Pia Redonda, situada no alto da Tapada com um mirante dominando todo o terreno.

O Ramal ou Galeria das Necessidades nasce  nas   Amoreiras    e atravessando o    Arco   do Carvalhão, segue enterrado  até à Mãe de água da Tapada das Necessidades, da qual  saem três ramais: um segue junto ao muro ocidental da Tapada até ao distribuidor da portaria Sul  e  vai abastecer o chafariz e   repuxos  do Obelisco no Largo das Necessidades -  Jardim Olavo Bilac; o  segundo    segue para     nascente, para   fora    da Tapada, seguindo   à   superfície,  atravessa  o vale da Cova  da Moura, atualmente a Avenida Infante Santo, e  segue   até  às Janelas Verdes, abastecendo  o respetivo chafariz   e   o palácio   dos Condes  de Alvor, onde funciona hoje o museu de Arte Antiga e que por essa altura (1755) era propriedade do Marquês de Pombal. Este ramal  permitia ainda  conduzir a água   aos chafarizes  de  Campo   de   Ourique, da   Estrela, da  Praça da Armada, da   Cova   da   Moura   e   das Terras, os dois primeiros já desaparecidos;  o    terceiro ramal, o central, abastece  a Tapada   e   o Palácio e Convento das Necessidades.


Pinto Soares




(1)  O Aqueduto   foi classificado   como    Monumento    Nacional pelo Decreto-lei de 16 de Junho, publicado  em 23 de  Junho de 1910, tendo sido elaborada  em 2002  uma    nova redação  com    a    redefinição    do    percurso, detalhando    com mais pormenor  toda a classificação (Decreto de 19 de Fevereiro de 2002).