quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Depoimento de Magda Fonseca


De Magda Fonseca, amiga da Tapada e leitora deste blogue, recebemos este depoimento:
"Cresci em Lisboa, nesta Lisboa que amo. Prezo-me de a conhecer muito bem, porque esse amor me tem levado a lugares aonde só quem ama uma cidade pode ir espreitar, uma entrada para os cais, um recanto da Mouraria, subir de Sta. Apolónia, por dentro de um prédio e sair num beco de Alfama... Graça com as suas Vilas, os Pátios desde o Bagatela até ao 90 da Possidónio da Silva. Poderia ficar a noite inteira e não acabaria de enumerar os sítios de que tanto gosto.
Isto para dizer que sabia, evidentemente da Tapada das Necessidades, como tapada do Palácio "real". Porém penso que só quando era pequena a tinha visitado. Quis o destino que fosse para a Junta de Freguesia dos Prazeres. Como era meu dever calcorreei a freguesia de lés-a-lés. Posso dizer que a conheço como as minhas mãos.
Assim, durante os sete anos que lá estive, muito haveria para contar relativamente à nossa Tapada.
Discutia-se com várias entidades o direito de uso pelo público, ou não. Abria-se só no horário da Escola 128, agora Fernanda de Castro. Mas considerámos isso como inaceitável, o público tinha o direito defruir aqueles 10 hectares de verde do centro da cidade...

Por isso fomos lutando e conseguindo a pouco e pouco que a Junta ficasse com algumas responsabilidades e assinou-se um Protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa e Ministério da Agricultura, para que estivesse aberta aos fins de semana. A Junta arcou sempre com as despesas dos guardas/porteiros.
Do que aproveitámos do espaço maravilhoso, posso dar testemunho de actividades, como Concertos pela Banda da Armada, Passagens de modelos, festas para crianças e adultos, tais como o Pic-Nic de Verão, as festas de encerramento dos programas Praia-Campo, quer dos infantis, como dos séniores, passando pelas festas escolares, em que se juntavam as crianças das três escolas da Freguesia nas festas da Primavera, da Páscoa e no fim dos anos lectivos.

Como era maravilhoso ver as centenas de crianças a fazerem Ateliers de pintura, a correrem em busca dos ovos da Páscoa, a alegria em liberdade, em espaço verde e ao qual eles tinham a sensação de pertença. Os contadores de histórias com elas sentadas, muito atentas a ouvi-los no meio do chilreio dos pássaros e do som da água a correr nosriachos.

As brincadeiras no Parque Infantil. E terem uma escola naquele espaço? poderem respirar ar puro no centro da Capital? Eram e ainda são os nossos meninos que têm, pelo menos esse privilégio, já que outros não têm. Representações e exibição de ginástica de crianças e classes de idosos.

Esta luta que encetámos, tem continuado e prossegue felizmente com o Grupo dos Amigos da Tapada, que procura partilhar com todos os cidadãos de Lisboa as suas preocupações pelas intenções explícitas, desde já, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e outros de vedar o acesso ao público e retirar à Junta as chaves do espaço que é de todos.
Este testemunho só terá interesse para se ver que a Junta de Freguesia sempre aproveitou todas as oportunidades para dar vida à Tapada e fazer com que ela fosse partilhada por todos os moradores e visitantes, para apreciarem o Jardim dos Cactos, a Estufa, a Casa Fria, a beleza e a raridade de muitas espécies que enchem aquele soberbo espaço.
Só posso terminar com um apelo a que se juntem ao Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades e participem no blogue
Magda Fonseca"
Fotografia deRosário Fernandes

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