sexta-feira, 7 de março de 2008

A Colaboração de Egas Branco




Na Tapada das Necessidades

As fotografias que juntamos são da Primavera de 1963. Tínhamos então pouco mais de 20 anos e toda a esperança do mundo, mesmo que vivêssemos em tempos sombrios, sem liberdade.
Situação que no entanto haveria de durar mais onze longos e penosos anos, de muitas lutas e de guerra, mas com a convicção do fim próximo do regime fascista e uma grande esperança no futuro.

Os passeios na Tapada, com os elementos mais jovens da família, deixaram-nos recordações imperecíveis, pela beleza e tranquilidade do local, onde por vezes também aproveitávamos, ainda estudantes, para preparar exames, já que desde 1959 residíamos na Freguesia.
Nestas fotos foca-se o então belíssimo lago dos nenúfares, a fazer lembrar as pinturas de Claude Monet sobre o tema. Hoje, quase meio século passado, o lago, tal como aliás a Tapada, encontra-se vazio e abandonado, apesar de se manter inalterada a beleza e tranquilidade do espaço.

Lamenta-se o desprezo a que a Tapada tem sido votada nos últimos anos, mas isso, infelizmente, tem também a ver com as políticas de quem nos tem governado nestes anos, principais responsáveis pelo enorme desalento que nas últimas duas décadas foi tomando conta de grande parte da população, que parece hoje paradoxalmente acreditar menos no futuro que nós, há cinquenta anos atrás, embora não tivéssemos então ainda a liberdade.

E como se não bastassem o abandono, os atentados ao bem público, as destruições para construção de parques de automóveis, arrecadações ou anexos, que roubaram espaço à Tapada e destruíram flora, fruto de interesses vários e da insensibilidade dos políticos no poder, eis que paira agora sobre ela a ameaça de a tornar privada, provavelmente para gáudio exclusivo dos “importantes visitantes” do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que aliás ocupa, indevidamente segundo alguns, o belíssimo palácio (ou que o resta interiormente dele…), que deveria ser, ele também, espaço aberto às visitas da população e turistas, porque faz parte do nosso património, colocando-o e à Tapada, no roteiro turístico da nossa cidade.

Agora, o pretexto para a proibição de usufruto pela população é a “segurança”. Tal como há cinquenta anos, e até ao 25 de Abril, a justificação era idêntica. Razão pela qual nesses anos sombrios os guardas da Tapada identificavam os visitantes, depois de os fazerem passar pelo crivo de uma autorização escrita. Mas os privilegiados lá iam conseguindo entrar.
É pois o regresso de uma mentalidade de controlo e censória, a que estamos a assistir, que também muito nos preocupa, e cujos efeitos se multiplicam diariamente, com novas leis tendentes a controlar em todos os sentidos a liberdade dos cidadãos, até no seu direito de associação!

Pensando nos mais novos, na Escola que está magnificamente localizada na Tapada, mas também nos que se aproximam do fim da vida e poderiam aproveitar ludicamente este belíssimo espaço, como a Junta de Freguesia aliás vem defendendo, tudo isso reforça a necessidade da manutenção deste espaço público, mas convenientemente tratado.
Que os Amigos da Tapada continuem a luta pela sua defesa, evidentemente com o apoio, imprescindível, da população.

25 de Fevereiro de 2008, Egas Branco

NOTA: Agradecemos esta colaboração e partilhamos o texto e as fotos que chegaram com o texto por e-mail. Ficámos mais enriquecidos com o testemunho deste amigo. Bem Haja.

5 comentários:

Anónimo disse...

ola tio egas é a pati
bjs

Anónimo disse...

goto muito :)

Anónimo disse...

gosto muito

Anónimo disse...

gostei muito!!!
:)

Anónimo disse...

gostei muito!!!