domingo, 13 de abril de 2008

Verde Doce*




Na passada sexta feira, num restaurante de Alcântara, cerca de duas dezenas de pessoas, que participam com entusiasmo neste ideal, celebraram o primeiro aniversário da fundação do Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades.
As crianças apagaram as velas. O amanhã será com elas. Os adultos reuniram na quarta feira e reunem de novo esta terça para discutir, analisar e sugerir hipóteses de trabalho.
A salvaguarda de um espaço belo e verde faz-se com uma semeadura de propostas. Reunindo horas e horas, lutando sempre para ajudar a construir esse mundo que será dos miúdos de hoje, mulheres e homens daqui a pouco, pois a vida é água a correr, como escreveu um poeta...
É para eles afinal, que espalhamos flores, deslumbres, inquietudes...
Bem Hajam Ana Duro e Catarina Sousa, mães do Dinis e da Rita, que apagaram as velas do bolo para iluminarem com os seus olhos vivos os dias do futuro.
Laurindo e Paula, João Pinto Soares e esposa, Odete, Jorge, Fátima, Catarina, Delfim, Ana Maria e Carlos, António e Círia, Ana Duro, Edmundo, José Alberto, Maria Eugénia...Obrigado a todos, por serem pessoas tão especiais, com capacidade para encantar, espantar e transformar o quotidiano!
Texto: Luís Filipe Maçarico
Fotos: António Brito
*Verde Doce é o título que A. Brito inventou para as fotos do aniversário do GATN.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades nasceu em 10 de Abril de 2007


O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades está de Parabéns, como todos aqueles que nos têm acompanhado, nomeadamente nos Reis (7 de janeiro) e durante a Caminhada de Fevereiro.
Começámos há um ano, continuamos atentos!
Foto:LFM

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A Tapada das Necessidades vista por Hans Christian Andersen em 1866


O nosso Amigo Pinto Soares recebeu uma mensagem, assinada por Fernando Jorge, que gostosamente transcrevemos, pelo manifesto interesse e pela simpatia da sua colaboração:

"Recentemente encontrei uma interessante descrição da Tapada das Necessidades datada de 1866. O autor é o famoso escritor Dinamarquês Hans Christian Andersen.
Curiosamente, o autor faz referência ao "velho parque abandonado e invadido pela erva" que foi transformado num belo jardim pelo Rei D. Fernando. Parece que a história se repete! Mas agora, no século XXI, quem irá salvar a Tapada das Necessidades do abandono e do vandalismo?
Era interessante colocar esta descrição no website dos Amigos da Tapada das Necessidades."

Segue-se o texto recolhido por este novo colaborador do nosso blogue, que saudamos:

A Tapada das Necessidades vista por Hans Christian Andersen em 1866

"Estava apenas há alguns dias em "Pinheiro", quando fui informado por O'Neill que, na próxima segunda-feira, seria recebido por Sua Majestade o Rei D. Fernando, no seu palácio na cidade. Este palácio fora antes um convento e está situado, como sempre estão os conventos, num esplêndido local, com uma vasta vista sobre a foz do rio Tejo. Alabardeiros trajando à antiga, mais ou menos como os soldados do Papa no Vaticano, montavam guarda nas escadas principais. Um serviçal do Paço levou-me à porta mais alta do palácio, onde o Conde da Foz, a quem tinha sido recomendado, me recebeu numa sala grandiosa, com armas e armaduras de belo estilo, exibindo mesmo a figura de um cavaleiro a cavalo. O Rei D. Fernando, alto e de belo porte, veio ao meu encontro, gentil e acolhedor, falou das minhas obras, da minha viagem a Portugal e nomeou com espressões de apreço a família O'Neill. Ele próprio me conduziu aos seus magníficos jardins, onde trepadeiras raras cobriam com grande profusão de folhas e flores os muros altos e esplêndidas palmeiras de grandes copas estendiam a sua sombra. Tudo era de uma grande beleza. O velho parque abandonado e invadido pela erva, com os cuidados e bom gosto do Rei, fora transformado num jardim encantador e fresco, com relvados, flores e vastas estufas onde cresciam as mais raras plantas tropicais. Ao despedir-se, o Rei apertou-me a mão e disse:"Não é uma despedida, ver-nos-emos outra vez". Foi tão agradável, com tal simplicidade, ainda que majestosa, esta visita que dela guardo uma recordação inesquecível."

Fernando Jorge acrescenta: "Este encontro de Hans Christian Andersen com o Rei D. Fernando no Palácio e Tapada das Necessidades ocorreu no dia 14 de Maio de 1866." e informa -nos acerca da fonte onde foi "beber" esta informação:

in "UMA VISITA A PORTUGAL EM 1866", Hans Cristian Andersen, Tradução de Silva Duarte, Gailivro, 2003 (páginas 47 e 48)"

Bem Haja, Fernando Jorge por partilhar connosco este tesouro! Bem Haja João Pinto Soares!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Que a Etnografia Minhota Venha à Tapada das Necessidades...



Foi no domingo passado que passaram diante do Jardim da Praça da Armada, grupos etnográficos originários de uma terra pródiga em verde, símbolo de pureza e abastança, que contribui substancialmente para a subsistência dos seus filhos - O Minho.
O Folclore nacional na sua diversidade encanta os lisboetas, que também têm as suas marchas populares em Junho.
Mas estas memórias, este património que desfilou nas ruas da freguesia dos Prazeres é de todo o tempo, eterno como os melhores sonhos do ser humano.
Ao ver essa juventude em cortejo, mostrando costumes e tradições, alguns de nós perguntámo -nos, sem resposta: E para quando um espectáculo destes amigos, da Casa do Minho, na bela Tapada das Necessidades?
Foto e texto: LFM

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A Tapada Foi Notícia no "Público": Muitas Dúvidas Pairam no Ar...


Com a devida vénia transcrevemos do "Público" de 3 de Abril de 2008, o artigo de Catarina Prelhaz:

Palácio das Necessidades pode abrir ao público em 2010
«MNE quer recuperar a Tapada das Necessidades e tornar visitável o único palácio real português que permanece vedado ao público

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) pretende tornar visitável o Palácio das Necessidades, em Lisboa, ainda em 2010. Na origem da decisão está a transferência de serviços para o Convento do Sacramento, que irá permitir ao MNE desocupar parte do único palácio real português cujo acesso continua vedado ao público, conservando apenas no piso térreo o serviço do protocolo do Estado.
Ainda assim, o acesso ao público deverá ter lugar "sem prejuízo de [o palácio] continuar a acolher actividades de representação externa do Estado do primeiro-ministro e do ministro dos Negócios Estrangeiros", avançou ao PÚBLICO o secretário-geral adjunto do MNE, Luís Barreira de Sousa.
Mas o MNE quer também assumir a gestão e a recuperação dos dez hectares da mata histórica contígua, a Tapada das Necessidades. A solução desagrada à Junta de Freguesia dos Prazeres e aos moradores e colectividades da zona, que receiam o encerramento daquele pulmão verde da cidade. "Defendemos o usufruto livre da tapada por parte da população. Ora, o MNE ainda não tem sequer o Palácio das Necessidades visitável, o que não nos dá confiança alguma relativamente à mata", explica o presidente da Junta de Freguesia dos Prazeres, João Magalhães Pereira. "As garantias do MNE não passam disso mesmo: meras declarações de intenções".
Mas, para o MNE, a questão do usufruto público da Tapada das Necessidades não se coloca, até porque a cessão daquele imóvel de interesse público será feita com o aval da Câmara de Lisboa. "Na sequência de um diálogo que decorreu em Fevereiro e Março, aquela vereação municipal [do Ambiente da autarquia] e a secretaria-geral do MNE chegaram a uma versão consensual de um hipotético protocolo que aguarda a aprovação de princípio do vereador José Sá Fernandes", detalhou Luís Barreira de Sousa, adiantando que, apesar de tudo, caberá ao MNE decidir se aceita a gestão da tapada. Um desfecho que, diz o MNE, depende em grande medida da "disponibilidade do Igespar[Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico] para se responsabilizar pela respectiva reabilitação".
Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério das Finanças confirmou que a tapada continuará acessível, independentemente de quem assuma a ua gestão, uma garantia ecoada pelo vereador dos Espaços Verdes. "A Tapada das Necessidades não é da Câmara, mas é da cidade e estamos a tentar arranjar uma solução para recuperá-la, não para encerrá-la", assegurou, sem contudo adiantar pormenores sobre o projecto de reabilitação que pretende ver concretizado "com a maior brevidade possível".

O exemplo do MNE
O portão que dá acesso aos jardins do Palácio das Necessidades está fechado a cadeado. Um dos vasos de pedra românticos caiu do muro que agora é do MNE e ninguém o foi apanhar. "Está ali há anos e eles nem devem ter reparado que, por esse motivo, o jardim até perdeu simetria", lamenta Maria Odete, de 59 anos e membro do Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades.
Odete espreita pelas grades do portão que dá para a tapada e olha as sebes acastanhadas, os azulejos carcomidos, depois as sardinheiras que recheiam todo o jardim e, por fim, desenha com o dedo as roseiras e as estátuas que já lá não estão. Lamenta-se, desiste e desce as escadas cabisbaixa. "Por aqui deixaram sacos de cimento e outros despojos de obras que têm feito. Lá teve de vir a câmara limpar..."
Mais à frente, Maria Odete estaca diante do recém-nascido parque de estacionamento do MNE, que se vai espreguiçando para a mata, arrematando-lhe pedaços à vez. A um canto, abrigado debaixo de uma árvore, ficou um contentor enferrujado das últimas obras. "E querem que eu acredite que este mesmo MNE vai tomar devidamente conta da tapada?"

A Associação Portuguesa de Sítios e Jardins Históricos (APSJH), entidade responsável pelo projecto de recuperação da Tapada das Necessidades, está a equacionar mover uma acção judicial contra o Ministério da Agricultura. Em causa está o incumprimento do protocolo que aquela entidade assinou em Junho de 2004 com o ministério para a reabilitação da tapada, que resultou em prejuízos de 3500 euros para a APSJH.
O acordo previa que o projecto e a execução da empreitada (que deveria estar pronta em 2015), bem como a obtenção de financiamento europeu ficassem a cargo da APSJH, isentando o Estado de quaisquer pagamentos. Em troca, o Ministério da Agricultura (então responsável pela tapada) concordava em ceder à associação, em regime de comodato, três edifícios da mata onde ela pudesse desenvolver o seu trabalho: a Casa do Regalo, a Casa do Fresco e a Estufa Circular.
Contudo, a recuperação da tapada não aconteceu, tudo porque, ainda em 2004, a Direcção-Geral do Património decidiu requisitar a Casa do Regalo - onde a associação já tinha gasto 3500 euros em obras de recuperação - para instalar o gabinete do então Presidente da República Jorge Sampaio, que este passaria a ocupar assim que terminasse o seu mandato.
Apesar dos esforços de Jorge Sampaio e da APSJH para desbloquear a situação, a recuperação falhou. Em Julho de 2005, o ministério propôs à associação a cedência de três edifícios da tapada em substituição da Casa do Regalo, mas continuou a exigir que a APSJH entregasse até 31 de Dezembro do mesmo ano o plano de restauro.
"Os edifícios que nos cediam estavam degradados e precisávamos de pô-los em obras. Só então poderíamos trabalhar, porque não tínhamos sede. Ora, como fazer um plano daquela envergadura em tão poucos meses?", questiona a presidente da APSJH, Cristina Castel-Branco.
Porém, a APSJH prosseguiu o trabalho voluntário e em 2007 ganhou um concurso internacional para o restauro de jardins históricos entre 159 projectos portugueses, no valor de um milhão de euros, verba que contava utilizar na recuperação da tapada. Mas o fim anunciado do protocolo veio dar-lhe um novo destino: o restauro de 12 jardins de associados (Jardim Botânico de Coimbra, José Miguel Júdice, Augusto Ataíde, Fernando Mascarenhas, Francisco Calheiras, João Amora, João Teixeira de Queiroz, António Costa Macedo, Fernando Guedes, José António Vitorino, José Pereira Coutinho e Francisco Patrício).
Entretanto, o Ministério da Agricultura enviou em Janeiro deste ano uma carta à APSJH, comunicando a sua intenção de denunciar o protocolo por incumprimento daquela. A 13 de Fevereiro, a APSJH respondeu, pedindo compensação pelos prejuízos causados, nomeadamente pela verba gasta na Casa do Regalo, mas continua sem resposta. C.P. »

NOTA: Retirámos do texto esta parte (o sublinhado é nosso) que merece reflexão, até porque o Vereador mencionado ficou de reunir com o Grupo dos Amigos há meses e nada sabemos sobre os contactos CML/MNE...
"Na sequência de um diálogo que decorreu em Fevereiro e Março, aquela vereação municipal [do Ambiente da autarquia] e a secretaria-geral do MNE chegaram a uma versão consensual de um hipotético protocolo que aguarda a aprovação de princípio do vereador José Sá Fernandes", detalhou Luís Barreira de Sousa, adiantando que, apesar de tudo, caberá ao MNE decidir se aceita a gestão da tapada.
Fotografia de José Manuel Lopes (a quem agradecemos a gentileza da oferta de tão bela imagem)