quarta-feira, 9 de abril de 2008

A Tapada das Necessidades vista por Hans Christian Andersen em 1866


O nosso Amigo Pinto Soares recebeu uma mensagem, assinada por Fernando Jorge, que gostosamente transcrevemos, pelo manifesto interesse e pela simpatia da sua colaboração:

"Recentemente encontrei uma interessante descrição da Tapada das Necessidades datada de 1866. O autor é o famoso escritor Dinamarquês Hans Christian Andersen.
Curiosamente, o autor faz referência ao "velho parque abandonado e invadido pela erva" que foi transformado num belo jardim pelo Rei D. Fernando. Parece que a história se repete! Mas agora, no século XXI, quem irá salvar a Tapada das Necessidades do abandono e do vandalismo?
Era interessante colocar esta descrição no website dos Amigos da Tapada das Necessidades."

Segue-se o texto recolhido por este novo colaborador do nosso blogue, que saudamos:

A Tapada das Necessidades vista por Hans Christian Andersen em 1866

"Estava apenas há alguns dias em "Pinheiro", quando fui informado por O'Neill que, na próxima segunda-feira, seria recebido por Sua Majestade o Rei D. Fernando, no seu palácio na cidade. Este palácio fora antes um convento e está situado, como sempre estão os conventos, num esplêndido local, com uma vasta vista sobre a foz do rio Tejo. Alabardeiros trajando à antiga, mais ou menos como os soldados do Papa no Vaticano, montavam guarda nas escadas principais. Um serviçal do Paço levou-me à porta mais alta do palácio, onde o Conde da Foz, a quem tinha sido recomendado, me recebeu numa sala grandiosa, com armas e armaduras de belo estilo, exibindo mesmo a figura de um cavaleiro a cavalo. O Rei D. Fernando, alto e de belo porte, veio ao meu encontro, gentil e acolhedor, falou das minhas obras, da minha viagem a Portugal e nomeou com espressões de apreço a família O'Neill. Ele próprio me conduziu aos seus magníficos jardins, onde trepadeiras raras cobriam com grande profusão de folhas e flores os muros altos e esplêndidas palmeiras de grandes copas estendiam a sua sombra. Tudo era de uma grande beleza. O velho parque abandonado e invadido pela erva, com os cuidados e bom gosto do Rei, fora transformado num jardim encantador e fresco, com relvados, flores e vastas estufas onde cresciam as mais raras plantas tropicais. Ao despedir-se, o Rei apertou-me a mão e disse:"Não é uma despedida, ver-nos-emos outra vez". Foi tão agradável, com tal simplicidade, ainda que majestosa, esta visita que dela guardo uma recordação inesquecível."

Fernando Jorge acrescenta: "Este encontro de Hans Christian Andersen com o Rei D. Fernando no Palácio e Tapada das Necessidades ocorreu no dia 14 de Maio de 1866." e informa -nos acerca da fonte onde foi "beber" esta informação:

in "UMA VISITA A PORTUGAL EM 1866", Hans Cristian Andersen, Tradução de Silva Duarte, Gailivro, 2003 (páginas 47 e 48)"

Bem Haja, Fernando Jorge por partilhar connosco este tesouro! Bem Haja João Pinto Soares!

2 comentários:

Anónimo disse...

Esta história é uma maravilha. Que bom haver pessoas que trazem até nós estas lembranças
xi coração
Ana Maria

Anónimo disse...

Que história tão fantástica .Não fazia ideia que um dos autores preferidos da minha infância tivesse estado em Lisboa e, mais concretamente,na Tapada das Necessidades.
Obrigada ao Sr. Fernando Jorge e, ao meu querido amigo João Pinto Soares por nos proporcionarem uma tão bela e , preciosa informação
Beijos
Fátima Sá