sábado, 14 de junho de 2008

"Tapada das Necessidades em Lisboa. A história de um jardim esquecido" de João Albuquerque Carreiras






A nossa amiga Fátima Sá revelou-nos uma descoberta fabulosa, que aqui partilhamos. Trata-se de um excelente trabalho de fim de curso em Arquitectura Paisagista (Instituto Superior de Agronomia, Lisboa, 1999) da autoria de João Albuquerque Carreiras, intitulado "Tapada das Necessidades em Lisboa. A história de um jardim esquecido".

"Os jardins são espaços únicos nos quais a evolução e a marca do tennpo se tornam fundamentais para a sua compreensão. Tratando-se de jardins privados, a história que contam é a da família dos seus proprietários, com seus altos e baixos, as fases mais ricas e as de maior contenção.
Nos jardins reais é a história do poder e dos próprios países que se reflecte nos jardins, na sua estrutura, na sua filosofia, nas suas peculiaridades.
A Tapada das Necessidades é um bom exemplo disso. Jardim real desde a sua construção até ao fim da monarquia, teve os seus altos e baixos, todos eles acompanhando a história de Portugal. Por isso se torna curiosa a sua história e evolução, porque com ela se pode acompanhar a história de Portugal nos últimos 250 anos. Na tapada podemos ver as marcas do absolutismo, as mudanças do liberalismo, o declínio da monarquia, o caos da 1ª República. Todos estes marcos estão indelevelmente ligados a este espaço, quer como palco destes acontecimentos, quer como expressão dos mesmos.
(...)
O moinho foi a primeira testemunha da obra das Necessidades e, também, do carácter agrícola da zona onde está implantado. A zona mais alta da Tapada foi por muito tempo terra de cereais (vulgo de semeadura), confirmando a função de produção normalmente associada ás cercas conventuais.
(...)
O Jardim Zoológico é dos elementos que mais interesse desperta nesta tapada. A existência de uma zona reservada a animais - especialmente a aves - no tempo de D.Fernando, é um facto, conferido nas diversas notas de encomenda e notícias referentes à chegada de aves e outros animais, tais como: « Diversos fornecimentos de pássaros foram encontrados, bem como as gaiolas de arame amarelo, em malha miúda, outra ditas de 'viuva', ou de canas, bebedoiros, etc, fabricados por João Alberto de Morais»
(...)
Em Maio de 1839 chega do Brasil uma remessa de macacos e aves raras, que tem por destino as Necessidades20; no fim de 1850 foi enviada de Paris para Lisboa uma boa variedade de aves, reservada por certo para o mesmo jardim, entre elas um «canard à tête de quise de Terre Neuve», um «gypaête barbu male des Pyrenées», o mais belo de espécie que recebeu a medalha de ouro da exposição (anual de Aves na capital francesa) e um «sécretaire jeune du Cap»; nascimento de pintainhos brancos em 1856, e a existência de rolas em 1854. Estes acontecimentos comprovam a existência nas Necessidades de uma zona de «jardim zoológico» ou aviário, supostamente localizada na zona agora chamada de campo de ténis. A existência de gradeamentos, que apontam para uma utilização de vedação, e de estruturas semelhantes a pequenos aviários, podem concorrer para comprovar esta teoria."

Para aprofundar esta panóplia de conhecimentos acerca da Tapada das Necessidades, sugerimos que consultem o seguinte endereço na Internet:
http://62.204.194.45:8080/fedora/get/bibliuned:ETFSerie7-CAC7D0C0-7345-331D-1245-07F843B0DAA5/PDF

Recolha: Fátima Sá; Selecção e fotos:LFM

Sem comentários: