quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O GRUPO DOS AMIGOS DA TAPADA DAS NECESSIDADES NO BOLETIM Nº 5 DA ASSOCIAÇÃO ALDRABA


Editado em Julho de 2008, o nº 5 do boletim da Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular, incluiu, entre as páginas 6, 7 e 8 um artigo, a 3 colunas, do nosso companheiro João Pinto Soares, que gostosamente se transcreve, com o título em epígrafe. Bem Haja João por mais esta divulgação do nosso grupo!
O LOCAL DAS NECESSIDADES
A história das Necessidades prende-se com a existência desde 1607 de uma pequena Ermida de Nossa Senhora das Necessidades, cuja imagem fora trazida da Ericeira, e que, pelas curas e graças concedidas, rapidamente granjeou grande número de devotos.

D. Pedro II e D. João V foram também devotos de Nª Senhora das Necessidades. D. João V, que atribuiu a cura de uma doença (1742) à intercessão da Virgem, pensou não só converter a pequena ermida em magnífica igreja para albergar a imagem de Nossa Senhora das Necessidades, como construir um palácio para sua habitação, e um hospício para os padres da Congregação do Oratório de S. Filipe Nery, por aquisição de terras agrícolas circundantes. Nasceu, assim, a Obra das Necessidades.

A Obra das Necessidades surge como uma expressão de fé religiosa, e constitui um conjunto que, como tal, não pode ser analisado por partes. A Igreja, o Convento, a Tapada, o Palácio e a Praça do Obelisco constituem um todo, uma obra que foi pensada e projectada como uma unidade.

Apesar de todo o empenho posto por D. João V na conclusão desta obra, a sua morte, em 31 de Julho de 1750, impediu-o de assistir à sua conclusão.

DEPOIS DE D. JOÃO V
O primeiro monarca a estabelecer- se definitivamente no Palácio das Necessidades foi a Rainha D. Maria II, em 1833. Em 1836, casou, em segundas núpcias, com D. Fernando de Saxe Coburgo Gotha, mais tarde II de Portugal. Em 1843, D. Fernando II mandou redesenhar o jardim, transformando a zona de hortas em jardim inglês, tarefa executada por Bonard. Em 1855- 1861, D. Pedro V manda construir a estufa circular, e o Rei D. Carlos (finais do séc. XIX), manda construir um campo de ténis e o pavilhão, conhecido por Casa do Regalo, que serviu de atelier de pintura da Rainha D. Amélia.

A TAPADA DAS NECESSIDADES
A Tapada das Necessidades, jardim real desde a sua construção até ao fim da monarquia, acompanhou a história de Portugal durante os últimos 250 anos. É um espaço público de rara beleza, situado na Freguesia dos Prazeres, em Lisboa. Trata-se de uma zona de Reserva Florestal Nacional, murada, com uma área de 10 hectares, dstrita ao antigo Convento e Palácio das Necessidades onde, desde 1916, se encontra instalado o Ministério dos Negócios Estrangeiros, classificado, bem como a Zona Especial de Protecção, da qual faz parte integrante a Tapada, como Imóvel de Interesse Público, desde 1983.
Tem entrada principal pelo Largo das Necessidades e é limitada pela Rua Capitão Afonso Pala, Rua do Borja e Calçada das Necessidades. Está aberta ao público todos os dias da semana (incluindo Sábados e Domingos), e a entrada é gratuita.

Dentro dos muros encontramos um ambiente idílico, rico em biodiversidade, com árvores centenárias, umas comuns, como os pinheiros, olaias e medronheiros, outras bastante raras como o dragoeiro, árvore sagrada nas Canárias de onde é originária, e a bela-sombra, originária da América do Sul e que, pese embora o seu tamanho, não é uma árvore mas sim uma planta herbácea. De destacar ainda o valioso jardim dos cactos. Mas também aves como os melros, as rolas, os periquitos rabijunco, e os patos-reais que voltam a colonizar os três lagos existentes.

Também o património construído dentro da Tapada é rico e diversificado. Podemos destacar a grande estufa circular, a Casa do Fresco, a Casa do Regalo, o moinho, testemunha do carácter agrícola da zona superior da Tapada onde está implantado, a diversa estatuária.
Lembrar ainda que, no interior da Tapada, funciona desde 1938 a Escola Fernanda de Castro, com o seu Jardim Infantil anexo.

ESTADO ACTUAL DA TAPADA DAS NECESSIDADES
Presentemente a Tapada das Necessidades é gerida por um conjunto de organismos oficiais: Ministério da Agricultura, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ministério da Defesa Nacional e Câmara Municipal de Lisboa. Não obstante, encontra- se bastante degradada, nomeadamente no que diz respeito aos caminhos, lagos e fontanários, estatuária e edifícios.
Para além deste estado de degradação, a Tapada enfrenta também outros perigos que podem ser identificados por quem a visita.

De facto, tais agressões começaram em 1974, com a destruição do antigo Picadeiro Real para aí ser construído o edifício do Instituto de Defesa Nacional.

Em 2003, o IPPAR autorizou a construção do Parque de Estacionamento Provisório do Instituto de Defesa Nacional em terrenos da Tapada das Necessidades. Este parque de estacionamento que, embora provisório, corre o risco de se tornar definitivo, tem vindo a permitir o estacionamento dentro da Tapada, ao longo dos seus arruamentos.

Mais recentemente, com a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças a pretender concentrar a administração da Tapada no Ministério dos Negócios Estrangeiros e para esse efeito solicitar a entrega das chaves das portarias Sul e Este, a cargo da Junta de Freguesia dos Prazeres, põe em causa o livre acesso à Tapada, direito adquirido pela população desde 1990.
A situação actual continua a ser de indefinição quanto ao futuro.

PORQUÊ O GRUPO DOS AMIGOS DA TAPADA DAS NECESSIDADES E QUAIS AS SUAS FINALIDADES
Preocupados com esta situação, e procurando estar atentos e interventivos em tudo o que diga respeito à salvaguarda da Tapada das Necessidades, um conjunto de cidadãos em nome individual, colectividades de cultura e recreio e associações ambientalistas com sede na Freguesia dos Prazeres, julgaram por bem dar início ao Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, aberto a todos os que sintam a necessidade de proteger valores culturais e naturais em Portugal.

Tem por finalidade este Grupo, formado em 10 de Abril de 2007:
Colaborar activamente na recuperação da Tapada, tendo sempre em conta que esta deve manter as características românticas que presidiram à sua criação e permanecem ainda hoje. Esta acção deve incidir, nomeadamente, no arranjo dos caminhos, lagos e fontanários, estatuária e edifícios; Promover a divulgação da Tapada por meio de colóquios, visitas de estudo guiadas, edição de um desdobrável e outros meios julgados adequados; Colaborar na organização de espectáculos culturais que, pelas suas características, não exerçam pressão sobre o ecossistema sensível da Tapada; Estudar e decidir sobre todas as propostas de actuação para benefício da Tapada e valorização cultural dos lisboetas que forem presentes ao Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades.
João Pinto Soares

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Notícia Sobre a Tapada no Jornal "Público"






Assinado por Catarina Prelhaz, surge na edição de hoje (19 de Agosto de 2008) do Jornal "Público", secção Local, página 15, a seguinte notícia:

Já há acordo para recuperar Tapada das Necessidades

Dez meses depois de se ter comprometido a decidir o futuro da Tapada das Necessidades, a Câmara de Lisboa vai discutir em Setembro a gestão e a recuperação daquele espaço verde da cidade. Segundo o gabinete do vereador do Ambiente, José Sá Fernandes (BE), a autarquia já chegou a acordo com o Governo e está agora a ultimar o protocolo que visa pôr fim ao estado de degradação em que a tapada está mergulhada.A quem caberá o destino da mata de dez hectares e quem pagará a sua reabilitação são questões ainda sem resposta, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tutela o vizinho palácio das Necessidades, já tinha manifestado vontade de tomar conta da tapada, desde que o pelouro da Cultura financie a recuperação.

Mas o futuro da mata, cozinhado à revelia de uma das entidades responsáveis pelo espaço, está envolto em polémica. Embora continue a gastar 12.500 euros por ano para manter a tapada aberta, a Junta de Freguesia dos Prazeres foi arredada das conversações. "Faço perguntas e ninguém me diz nada. Temo que sejam os ministérios que têm destruído a mata a assumirem a sua gestão", critica o presidente da junta, João Magalhães Pereira (PSD).Sem informações e com igual grau de apreensão continuam os vereadores do PCP, que em Novembro levaram a câmara a aprovar por unanimidade o início das negociações com o Estado. "Foi prometida uma solução para Maio. Já interpelámos o vereador e nem uma resposta tivemos", lamenta o autarca comunista Carlos Moura."

Pesquisa e coordenação: LFM; Fotos de Rosário Fernandes e Hellen Dias.