terça-feira, 7 de abril de 2009

Palmeiras da Tapada. O Olhar e a Sabedoria de João Pinto Soares





AS ÁRVORES DA TAPADA DAS NECESSIDADES

AS PALMEIRAS

CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Caryophyllales
Família: Palmaceae

EXISTÊNCIA NA TAPADA DAS NECESSIDADES
Fazendo parte da Família Palmaceae, existem muitas palmeiras dispersas pela área da Tapada das Necessidades, pertencentes às seguintes espécies: PALMEIRA-DAS-CANÁRIAS (a mais abundante), PALMEIRA DAS VASSOURAS e TAMAREIRA.

PALMEIRA-DAS-CANÁRIAS (Phoenix canariensis)
CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA Género: Phoenix Espécie: Phoenix canariensis Chab.

ORIGEM E LOCALIZAÇÃO EM LISBOA

A PALMEIRA-DAS-CANÁRIAS é uma planta de grande porte, com origem nas Ilhas Canárias. É a Palmeira mais abundante em Lisboa, existindo um pouco por toda a cidade. Também na TAPADA DAS NECESSIDADES é muito abundante encontrando-se profusamente dissiminada. A sua plantação foi incrementada na década de 50 do século passado por se identificar com destinos turísticos exóticos. Anteriormente era utilizada em quintas como símbolo da riqueza colonial.

CARACTERÍSTICAS

A PALMEIRA-DAS-CANÁRIAS pode atingir uma altura de 20 m. É uma árvore que se transplanta facilmente, tem uma longevidade muito longa, é muito resistente à poluição e tem um crescimento lento: com menos de 30 anos não permitem que se aproveite a sua sombra porque tem folhas até muito abaixo. Uma árvore com 10 metros pode ter mais de 100 anos. Actualmente constitui abrigo aos muitos exemplares de periquito-rabijunco, recentemente introduzido em Lisboa e que nidifica também na Tapada das Necessidades.

A COPA é frondosa, verde intenso, com a forma de uma coroa contendo até 200 folhas muito grandes, erguidas e viradas para fora em direcções opostas umas das outras.
O TRONCO é largo e direito, castanho-acinzentado e com fortes saliências, pois é formado pelas várias camadas de folhas antigas, cujas bases não caíram e endureceram com o crescimento da árvore, ficando sobrepostas. Um dos aspectos mais curiosos das palmeiras é o facto de o seu tronco, uma vez formado não engrossar.
As FOLHAS são compostas, verde-escuras, rijas e muito compridas, com 5 a 6 m de comprimento, em forma de lança, divididas em folíolos (parte individual de uma folha composta). As FLORES são muito pequenas, alaranjadas, agrupadas em cachos (tipo de inflorescência que apresenta flores com pedículo curto) pendentes e longos, até 2 m. A floração acontece em Março/Abril.
Os FRUTOS são carnudos e assemelham-se a pequenas tâmaras cor-de-laranja, com cerca de 3 cm, ovais e agrupados em enormes cachos redondos e apertados. A frutificação acontece em Junho/Agosto.

PALMEIRA DAS VASSOURAS
Género: Chamaerops Espécie: Chamaerops humilis L.

Esta palmeira, a que se chama vulgarmente palmeira anã, palmeira das vassouras ou palmito e a palmeira de Creta, são as únicas palmeiras nativas da Europa. Espontânea no nosso país, pode encontrar-se ainda no Algarve, nomeadamente na falésia entre as praias de S. Rafael e da Coelha-Albubeira onde não ultrapassa um porte arbustivo de alguns decímetros de altura, daí o nome vulgar de palmeira anã. Muito resistente a condições climáticas extremas, não sobrevive porém à destruição do seu habitat natural como poderá acontecer no Algarve. É uma palmeira cujas folhas são profundamente palmadas, muito duras, formando leques, com os pecíolos (porção mais delgada da folha, que liga o limbo à bainha ou ao caule) longos, delgados e espinhosos na base. Embora no estado natural não ultrapasse um porte arbustivo, quando cultivada, pode desenvolver um tronco até 6 metros de altura, coberto de fortes fibras. É uma planta dióica (existência de plantas masculinas e plantas femininas). Sua inflorescência é interfoliar, com 10 a 20 cm de comprimento. As flores são amareladas e os frutos de coloração amarelada ou acastanhada e cerca de 2 cm, não são comestíveis.

TAMAREIRA

Género: Phoenix Espécie: Phoenix dactylifera L.
Palmeira originária das zonas húmidas do Médio Oriente; às vezes cultiva-se como ornamental na região mediterrânea. Tronco alto e delgado até 20 m. Folhas muito grandes, rígidas, de cor verde acinzentado, com numerosos pares de folíolos rígidos, esbranquiçados na página inferior. Inflorescências grandes. O fruto é comestível, avermelhado com cerca de 5 cm de comprimento.

EXEMPLARES CLASSIFICADOS EM LISBOA

Freguesia dos Prazeres
Jardim 9 de Abril
Phoenix dacctylifera L. – Tamareira (Espécie isolada) D.R. nº 298, II série de 27/12/2001

Freguesia de S. Domingos de Benfica
Parque Bensaúde Phoenix canariensis Chab. - Palmeira-das-canárias ( Espécie isolada) D.R. nº 197 de 21/08/2004

Freguesia da Encarnação
Largo Barão de Quintela Phoenix dactylifera L. – Tamareira (Maciço) D.G. nº 90, II série de 19/04/1947

João Pinto Soares

2 comentários:

Anónimo disse...

Obrigada amigo João Pinto Soares por esta bela lição sobre as palmeiras da Tapada das Necessidades. Passamos por tantas árvores e, não falo só da Tapada das Necessidades e, não sabemos reconhecer que árvore, que planta, temos ali ,à nossa frente . É pois importantíssimo que a pouco e pouco tenhamos destas lições e chamadas de atenção para o património botânico de que estamos rodeados.
Ficamos à espera de outras lições, amigo João.Bem haja.
Fátima Sá

Anónimo disse...

Agora, quando deambular pela Tapada, nas minhas caminhadas matinais, vou olhar aqueles belos espécimes mais atento. Obrigado ao autor. E apreciaria muito que continuasse com a sua divulgação. Um abraço
Egas Branco