domingo, 28 de junho de 2009

Gostamos de Pertencer a Este Grupo










Decorreu, conforme previsto, a apresentação do folheto do Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, com intervenções do presidente da Junta dos Prazeres, engenheiro João Magalhães Pereira e de Luís Filipe Maçarico, em representação do GATN.
No final falaram os convidados, sr. Flávio Fonte, deputado da Assembleia de Freguesia dos Prazeres (PS) e o vereador da Câmara Municipal de Lisboa, engenheiro Carlos Moura (CDU). Esteve ainda presente, o deputado da Assembleia de Freguesia dos Prazeres, João Mendes(PCP). Seguiu-se um convívio/beberete.

Transcrevemos a intervenção do Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, escrita e aprsentada por Luís Filipe Maçarico:

O Grupo da Tapada das Necessidades, fundado em 10 de Abril de 2007, tem sido, ao longo destes dois anos de activa existência, um espaço de intervenção, onde cada cidadão procura contribuir, com o seu voluntariado, para o melhor resultado dos objectivos do Grupo. Esse compromisso tem servido para chamar a atenção dos que têm os meios, procurando inverter situações deploráveis.

Foi assim com o convite às forças políticas durante a campanha eleitoral das autárquicas, no Verão de 2007, aceite pela Coligação Democrática Unitária e pelos Cidadãos por Lisboa, que se traduziu numa moção apresentada pela CDU, recomendando a tomada urgente de medidas de salvaguarda do espaço da Tapada. Moção essa, baseada na audição do Grupo, transmitindo os nossos anseios. Que foi aceite por unanimidade.

Foi assim nas diversas reuniões com os partidos representados na Assembleia Municipal, que nos receberam e onde apresentámos as nossas preocupações.

Foi assim com o Alto Comissário das Nações Unidas, Dr. Jorge Sampaio, sediado neste espaço, que prometeu apoiar as nossas pretensões.

Foi assim na especial celebração dos Reis em Janeiro de 2008, reunindo amigos, população e comunicação social.

Foi assim, com a caminhada que reuniu perto de 100 pessoas em Março de 2008, onde se integraram representantes da CDU, Partido Ecológico Os Verdes e Partido Social Democrata.

Foi assim com as reportagens do JN, Público, Conversas de Café, Jornal de Alcântara e RTP1, entre outros, que divulgaram esta causa.

A honradez de todos os elementos e a justeza das suas intenções, proporcionaram um substantivo apoio popular, obrigando a CML a estabelecer um protocolo com o Ministério da Agricultura, que tinha abandonado a Tapada, ao ponto de um alto dignatário do Ministério dos Negócios Estrangeiros ter tentado extorquir a chave da portaria à Junta de Freguesia.

Cabe aqui salientar a correcção da atitude do Presidente da Junta de Freguesia que tem sido um aliado do Grupo.

Recentemente, novos amigos que demandaram o GATN explicaram que fora este espírito que os trouxera a juntar-se aos precursores.

Com a edição do folheto que hoje trazemos a público, fruto de apuradas trocas de impressões, de alguma discussão e muito entusiamo, consuma-se mais uma etapa deste projecto tão rico de contributos e participações, que está longe de se esgotar.

Efectivamente, habituámo-nos a olhar para o futuro como um tempo de surpresas para as quais teremos de estar preparados, sempre ancorado no apoio da população, do associativismo e daqueles que devem ouvir os cidadãos para melhor decidir.

O sucesso do nosso percurso, é apenas a constatação daquilo que as acções de cidadania podem conseguir para a qualidade de vida, com muito empenho, dedicação e luta.

É também, independentemente da diversidade de ideários, o equilíbrio de uma prática colectiva em prol da informação partilhada, do respeito mútuo e da convicção que, não sendo donos de um espaço de interacção, não toleramos que outros se apoderem do que é de todos.

Com eleições de novo à porta, iremos lembrar aos partidos que existe este oásis na cidade de Lisboa, que merece ser usufruído pela população da cidade. E que deve ser cuidado.

As nossas memórias identitárias, remetendo para os dias em que fomos crianças frequentando a Tapada, estimulam-nos a continuar a lutar tendo como objectivo máximo o bem comum.

Porque ninguém nos garante que em Outubro, nos venham dizer que afinal a Tapada deve ter outro uso: talvez de charme, talvez para vipes, diplomatas, presidentes, monarcas, magnatas, endinheirados, pois alguns craques da governança são useiros e vezeiros em mudar de opinião, como já se viu em relação ao trabalho, à saúde, à educação, às reformas.

Por isso deveremos, meus amigos, manter-nos alerta e unidos, corrigindo o que foi menos conseguido, para continuarmos a atingir os claros objectivos que não se compadecem com o salamaleque circunstancial dos gabinetes onde uns senhores enfadados decidem se entramos ou ficamos à porta da vida.

Mas, companheiros, eles também sabem ue o Futuro somos nós, - os sonhadores - os que fazem frente à desumanizaão da cidade e realizam sonhos, entregando a causas do bem estar comum, como esta, as melhores energias.

"Pelo sonho é que vamos", dizia o poeta da Arrábida, Sebastião da Gama. E António Gedeão proclamou na sua Pedra Filosofal que "sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança."

É por isto que chegámos aqui - e gostamos de pertencer a este Grupo. Porque não burocratizámos os gestos e acreditamos uns nos outros, pois hecemo-nos desde miúdos.

Não brincamos com a felicidade quejá vivemos, queremos continuar a saborear e partilhar com os que virão a pisar esta terra.

Termino, citando Sophia de Melo Breyner:

"Porque os outros se compram e se vedem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não."

LFM (Texto e fotos) António Brito (fotos de Fátima Sá e Luís Maçarico)

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