terça-feira, 21 de julho de 2009

À NOSSA ESPERA



O Palácio está ao lado, com um historial fantástico.
No Colégio do Convento dos Oratorianos, que funcionou no edifício onde hoje está instalado o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Alexandre Herculano foi um dos alunos.
As memórias são inúmeras.
E a Tapada, todos os dias escuta os rumores da cidade, na sua concha de aromas e cambiantes, à nossa espera.
Com um poema de terra, seiva e maravilha.
LFM

quinta-feira, 16 de julho de 2009

PESAR


O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades vem exprimir o seu pesar pelo falecimento de uma amiga da Tapada, Paulina Maria Mendes Fontoura dos Santos, esposa do nosso fundador Laurindo Santos.
Ao nosso amigo Laurindo, à filha e familiares, apresentamos os nossos pêsames.
É a segunda perda em pouco tempo, pois há alguns meses atrás, faleceu o jovem Jorge Manuel Duarte Oliveira (Joca) marido da nossa amiga Catarina Sousa.
São sombras que se abatem no nosso horizonte, entristecendo a paisagem que no início de 2008 todos percorremos, naquela gloriosa caminhada de espíritos unidos, no desejo partilhado de defender a memória, o património, o belo arvoredo que conhecemos desde crianças.
Abraço muito apertado aos amigos que sofreram esta emboscada do destino.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A Idade do Ouro -Commedia dell'Arte na Tapada das Necessidades


Enviada pelo nosso companheiro Eng.º António Saraiva,voltamos a dar conhecimento - mais detalhado - desta iniciativa teatral:

Ficha técnica/artística:

DIRECÇÃO E ENCENAÇÃO: Filipe Crawford

DIRECÇÃO DE CENOGRAFIA E FIGURINOS: Ana Brum

MÁSCARAS (da colecção de Filipe Crawford): Nuno Pino Custódio, Renzo Antonello e Takashi Kawahara.

DIRECÇÃO MUSICAL: Ian Carlo Mendonza

FOTOGRAFIA: Raul Cruz

DESIGN GRÁFICO: Carlos Francisco

DIRECÇÃO TÉCNICA: João Marques

PRODUÇÃO EXECUTIVA: Sandra Simões

APOIO DRAMATURGICO: Hugo Gama

ACTORES DO ELENCO PRINCIPAL:

Ana Peres – Anita Urtigão / Capitão Valentim Valentão

Carla Carreiro Mendes – Flávia Osório / Tótó

Fernando Cunha – Capitão Aventino

Luís Nascimento – Almirante Augusto Osório

Mariana Schou – Dr.ª Wissenweissen

Marta Pacheco – Tonicha / Katrina

Pedro Luzindro – Wenceslau / Capitão Feliz Ciudade

Teresa Raquel – Zé Maria

Rui Ferreira – Palmeta

Vasco Lavado – Dr. Ramiro Urtigão

Músicos ao vivo:

Ian Carlo Mendonza – Percussões /guitarra

João Miguel Sousa – Clarinete /flauta

ELENCO ADICIONAL:

Hugo Gama – Quim

Fernanda Fernandes – Florbela / Dr.ª Constantina de Almeida

Alexandre Pedro – Brigão

Carlos Pereira – Adolfo Dias

Jacqueline Monteiro – Etelvina Perpetua

Daniela Castro Lopes – Dong

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Breve sinopse:

O Almirante Augusto Osório, também conhecido como Pantalone, rico armador reformado e viúvo, tem uma filha única, Flávia, que deseja casar, para conseguir assegurar um descendente varão. Wenceslau, um dos filhos do Doutor Ramiro Urtigão e da sua esposa, a Drª Wissenweissen, é o potencial futuro marido de Flávia. O casamento entre os dois vai ser formalizado hoje numa festa organizada por Pantalone, com a ajuda do Capitão Aventino, responsável pela segurança e de Tonicha, dona de uma tasca, que providenciará a ceia. Todos andam atarefados com os preparativos da festa, mas o imprevisto acontece: Flávia e Wenceslau decidem que não querem casar e preparam-se para fugir com Anita, a irmã de Wenceslau que aspira a ser marinheira. Como irá acabar esta comédia onde as personagens típicas da Commedia dell’Arte renascentista são transpostas para uma conjuntura actual onde os casamentos já não são um final feliz.

Este espectáculo é o resultado de um ano de trabalho prático de formação com os actores da Escola da Máscara. “A Idade do Ouro” representa uma homenagem à Commédia dell’Arte e também a uma grande encenadora, Ariane Mnouchkine e ao seu trabalho com o Théâtre du Soleil. A Idade do Ouro era o título de um espectáculo desta companhia que nos anos 70 revolucionou o modo como se encarava este género teatral Renascentista, justamente considerado como a Idade do Ouro do Teatro Ocidental. Partindo dos mesmos pressupostos, ou seja da preocupação em fazer um teatro actual, que fale de problemas actuais, utilizando os processos tradicionais da Commedia dell’Arte, como a improvisação, a criação colectiva, as máscaras e as personagens fixas, tentamos transpor o universo da Commedia dell’Arte para os nossos dias, contando uma história que se foi criando aos poucos a partir da imaginação, memórias e contributos de cada actor. O resultado final é apenas uma primeira tentativa (1º esboço) de apresentar um teatro actual e ao mesmo tempo tradicional e popular, contando uma história que se refere a um momento particular da nossa existência colectiva e que mais não é que um pretexto para celebrar a alegria do teatro e da comunicação com o público.


(Recomenda-se calçado confortável e agasalhos. O terreno é agreste, as noites frescas!)

A Pimenteira-Bastarda e as Pilastras (Continuação do Artigo de João Pinto Soares)



Devemos aproveitar este nosso passeio pela Tapada, e porque ela não vive de árvores, para notar que de cada lado deste canteiro existem dois elementos de água, constituídos por pilastras de calcário rematadas, uma por uma grande taça em mármore da qual correria água de forma abundante, a outra por um leão, tendo ao centro uma pequena bacia de pedra e uma carranca de bronze que lançava água na bacia. Os leões têm nas garras, um as armas reais, o outro as armas da Congregação do Oratório. O conjunto destas quatro fontes, que não jorram água, são dos poucos elementos existentes na Tapada do tempo dos Padres Oratorianos formando como que uma entrada formal na antiga cerca conventual.


Entrada formal na antiga cerca conventual

As quatro pilastras de calcário rematadas, duas por uma grande taça em mármore, as outras duas por um leão, tendo ao centro uma pequena bacia de pedra e uma carranca de bronze (já desaparecida de uma delas)


EXEMPLARES CLASSIFICADOS NA CIDADE DE LISBOA

Não são conhecidos exemplares desta espécie classificados na cidade de Lisboa.


João Pinto Soares


terça-feira, 14 de julho de 2009

Mais um documento sobre a Tapada das Necessidades



Guia dos Parques, Jardins e Geomonumentos de Lisboa

Edição da Câmara Municipal de Lisboa e Produção da Naturterra, Junho de 2009

Este novo livro contempla a Tapada das Necessidades e o Jardim Olavo Bilac, designando a Tapada como “um dos mais importantes jardins de Lisboa, com muitos segredos para contar”.


Com uma pequena rubrica de informações úteis no início, 2 páginas inteiramente dedicadas à história da Tapada e um mapa, onde se pode ver a localização de algumas espécies arbóreas referidas ao longo do texto, bem como os vários locais de possível visita na Tapada.


De salientar e relativamente às espécies arbóreas o texto sobre “um grande teixo”. “Árvore originária da Europa, Norte de África e Sudoeste da Ásia...”,”...que pode viver até aos 2.000 anos…” da qual se pode extrair “...o taxol, substância...” tóxica que “...tem sido utilizada na luta contra o cancro.” ”A sua madeira…” devido à “… boa qualidade e dureza…” é utilizada “...no fabrico de mobiliário e as suas raízes na construção de arcos de violino.”


Várias espécies são descritas e localizadas através do mapa, no final do texto, a par de algumas fotografias que mostram a beleza do espaço.

Ficou apenas esquecida a descrição do Jardim dos Cactos, considerado como um dos melhores da Europa, talvez para uma próxima edição?!

O Guia dos Parques, Jardins e Geomonumentos de Lisboa, está à venda na Livraria Municipal em Lisboa e na loja Fnac do Chiado.


Carlos Bolacha


NOTÍCIA QUE MERECE REFLEXÃO


«O presidente da Junta de Freguesia dos Prazeres, Magalhães Pereira (PSD), insurgiu-se contra a ampliação em betão de um pavilhão da Tapada das Necessidades para instalação de uma creche. "Não entendo que uma entidade como a Santa Casa da Misericórdia queira fazer uma creche num jardim de Lisboa, de um antigo palácio real, e como é que a câmara a propõe para autorização", questionou o autarca, em declarações à Lusa"

(...)

Segundo o autarca, a obra vai afectar mais de 50 árvores "entre podas e abates" e os seus "impactos negativos" foram referidos num parecer da Direcção Municipal de Gestão Urbanística da autarquia. Além dos efeitos nas árvores, o presidente da junta sublinha que a instalação daquele equipamento implicará a devassa da tapada, com a entrada de viaturas, deitando por terra um "esforço de preservação" do local. Apesar de já funcionarem na Tapada a Escola Fernanda de Castro e um jardim-infantil, o autarca sublinha que são estruturas de madeira e não de betão.»

In Público (8/7/2009)
Clicar em cima da imagem para ampliar e rever comunicado do GTN em:
http://gatnecessidades.blogspot.com/2009/07/comunicado-do-grupo-dos-amigos-da.html

segunda-feira, 13 de julho de 2009

AS ÁRVORES DA TAPADA DAS NECESSIDADES A PIMENTEIRA-BASTARDA

PIMENTEIRA-BASTARDA (Shinus terebinthifolius)
CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA

Reino: Plantae
Divisão:
Anthophyta
Classe:
Magnoliopsida
Ordem: Sapindales
Família:
Anacardiaceae
Género: Shinus
Espécie: Shinus terebinhifolius




ORIGEM, LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E CARACTERÍSTICAS


A Pimenteira-bastarda é originária da América do Sul e tem preferência pelas margens dos rios. Encontra-se de forma espontânea no SO da Europa, sendo também plantada como espécie ornamental. É uma árvore de folha persistente, tronco um pouco retorcido e casca escura e fissurada. Atinge os 8 metros de altura, com ramagem pendente e aromática. Folhas pinuladas ( folíolos dispostos dos lados de um mesmo pecíolo, fazendo lembrar a pena de uma ave) têm de 8 a12 centímetros de comprimento e 7 a 15 folíolos verdes e elípticos. As Pimenteiras-bastardas são dióicas, isto é, há árvores fêmeas e árvors machos. As flores surgem entre Maio e Julho. De cor branco-amarelado são pequenas e têm pouco interesse do ponto de vista ornamental, mas são apreciadas pelas abelhas. Produzem frutos dispostos em cachos, de cor vermelho claro, com um sabor próximo da pimenta muito apreciados pelos pássaros. As suas folhas fazem lembrar as de um arbusto mediterrânico da mesma família, a aroeira (Pistacia lenticus).



É bem conhecido dos visitantes da Tapada das Necessidades o canteiro onde se encontram as nove pimenteiras-bastardas centenárias, de grande porte, cujas copas entrelaçadas dão muita sombra e frescura. Para além das pimenteiras, há um conjunto de mesa de piquenique e quatro cadeiras metálicas e quatro bancos de jardim em madeira, constituindo um espaço de lazer por excelência.


Artigo e fotografias de João Pinto Soares