domingo, 12 de julho de 2009

Dois Sites que Falam da Tapada, Duas Citações Que Enriquecem os Nossos Conhecimentos Sobre Este Espaço Verde Maravilhoso













Do site http://www.mne.gov.pt/mne/pt/ministerio/palacio/ transcreve-se este texto:

I. Lenda e Capela de Nossa Senhora das Necessidades

Reza a tradição que a edificação da Capela da Nossa Senhora das Necessidades teve por origem uma lenda. Em 1580, um casal de tecelões, fugindo à peste que então grassava pela cidade de Lisboa, procurou proteger-se, refugiando-se na Ericeira. Nesta localidade, o casal tinha por devoção venerar uma imagem da Nossa Senhora da Saúde, existente numa pequena ermida.

Por volta de 1604, regressados a Lisboa após o abrandar da peste, o referido casal decidiu trazer consigo a imagem devota que protegera a sua saúde. A fim de cumprir as promessas de gratidão, o casal decidiu dar início à construção de uma ermida para a referida imagem da Nossa Senhora da Saúde. Sob a protecção e o patrocínio de Ana de Gouvêa de Vasconcellos, abastada proprietária da época, começou a ser erigida a ermida.

Dado que estava situada junto ao rio Tejo, designadamente, ao Cais de Alcântara, cedo esta ermida passou a constituir ponto obrigatório de passagem das gentes do mar que a ela recorriam em busca de protecção para a saúde e outras necessidades. A devota imagem da Senhora da Saúde foi adquirindo fama e o seu nome passou a ser associado a outros milagres, o que levou os marítimos da carreira das Índias a formar uma Irmandade que para além de ampliar a ermida, instituiu uma festa anual, a festa do Espírito Santo ou Festa do Azeite, que incluía uma romaria para visitar e venerar a imagem da Nossa Senhora das Necessidades. A lenda da imagem milagreira espalhou-se, rapidamente, por entre a população.

Em 1705, por ter sido assolado por uma doença grave, o rei D. Pedro II solicitou que levassem até si a imagem da Nossa Senhora das Necessidades. Recuperado e grato, o rei fez retornar a milagrosa imagem à sua ermida, prometendo-lhe, em vida, real protecção.

O rei D. João V continuou a devoção do pai durante os frequentes períodos de enfermidade de que padecia. Como prova de gratidão para com a referida imagem, o rei apropriou-se da capela e propriedades anexas, tornando-as «em nome de Sua Majestade, e para o real Serviço do dito Senhor (...), posse da dita Quinta e da Sua Ermida de Nossa Senhora das Necessidades e de todas as suas pertenças e adornos». Como prova de gratidão, o rei ampliou a ermida e procedeu à construção de um palácio para residir. Mandou, ainda, construir um convento, designado por hospício, para albergar eclesiásticos que se dedicassem ao ensino da Teologia, das Humanidades e das Ciências.

Obra de vulto, obrigou à aquisição de pequenas propriedades anexas com a finalidade de alargar a cerca, bem como os jardins do convento e do palácio. Após a conclusão dos trabalhos das obras do Convento, a Congregação do Oratório de Lisboa submeteu à apreciação régia um pedido para ocupar as instalações do edifício.

II. Convento da Congregação do Oratório de Lisboa

Por decreto régio, datado de 8 de Fevereiro de 1747, e acrescido da Carta de Doação em 6 de Abril do mesmo ano, D. João V doou à Congregação do Oratório de Lisboa, o hospício, a cerca e todos os terrenos anexos, com excepção da fortificação necessária à protecção da cidade, do palácio real, da sacristia e coro da capela, que o rei reservara para usufruto pessoal e de seus descendentes. A Congregação do Oratório comprometia-se, em contrapartida, a leccionar as classes de ensino seguintes: Doutrina Cristã, Gramática, Retórica, Teologia Moral e Filosofia.

A autoria desta obra grandiosa é, tradicionalmente, atribuída não apenas a um, mas a vários arquitectos, entre outros, José da Cunha, Manuel Antunes Feyo, Máximo de Carvalho, Caetano Tomás de Sousa e Jorge de Abreu. Com efeito, alusões várias indiciam interferências diversas na construção do edifício, sendo apenas conclusivo que o rei D. João V manifestou empenho em que os edifícios que mandara construir fossem terminados o mais depressa possível. Assim que se tornou habitável, os frades instalaram-se e procederam às necessárias adaptações das várias celas, nomeadamente, da Biblioteca, a sala principal do Convento.

Falecido em 1750, D. João V não chegou a viver para ver a sua obra. Em 1751, um decreto real atribui aos frades a «Dotação da Casa», sublinhando destinar-se ao ensino. A 6 de Maio de 1751, os frades instalaram-se no Hospício, tendo começado a leccionar, em 27 de Julho do mesmo ano. Com efeito, o superior eclesiástico da Ordem chegou, inclusive, a deslocar-se à presença do rei D. José I, a fim de participar a abertura das aulas. Esta notícia foi recebida com grande júbilo.

Cedo o Convento adquiriu fama pela excelência do ensino das disciplinas relativas às Humanidades e às Ciências. Assim, veio a ser frequentado pelos filhos dos altos dignatários da corte, entre outros, o filho primogénito do Marquês de Pombal, tendo, inclusivamente, proporcionado a formação de uma elite intelectual. O grau de exigência do ensino reflectia-se, para além das aulas teóricas, na preocupação das aulas práticas de Física, realizadas na sala designada dos Instrumentos. Esta situava-se a ocidente da Capela e era, então, pertença do Convento.

Às experiências de Física assistiam, frequentemente, membros da corte. Acresce que o rei D. José prestigiou algumas vezes com a sua presença essa Sala dos Instrumentos, a fim de ver os mesmos em funcionamento pelo padre mestre Theodoro de Almeida. A presença régia traduzia uma vontade de proteger a Ordem do Oratório como forma de contrariar a predominância crescente que a Companhia de Jesus vinha exercendo cada vez mais em Portugal.

O Convento escapou ileso aos danos provocados na cidade de Lisboa pelo Terramoto de 1755, mantendo até hoje, praticamente, intacta a sua traça original. O edifício compõe-se de quatro frentes, divididas por cinco pisos, sendo o primeiro térreo. O quarto piso constituía o principal e correspondia ao actual terceiro andar. Nele estavam situadas a maior parte das celas dos frades e, ainda, a famosa Biblioteca do Convento. Esta ocupava toda a frente, virada a nascente, com duas ordens de janelas que se sobrepunham. Em 1756, a Biblioteca encontrava-se aberta ao público, possuindo 25 mil volumes e, em 1823, mais de 30 mil. Foi, ainda, nesta Biblioteca que se realizaram as primeiras Cortes Constituintes, em 26 de Janeiro de 1821.

No quinto e último andar, estavam situadas dezoito celas. O terceiro andar, correspondente ao actual segundo acedendo pelo Largo do Rilvas, compunha-se de várias salas destinadas às aulas, assim como ao refeitório e à cozinha. Pelo segundo piso distribuíam-se as adegas, as várias despensas e oficinas necessárias à vida da comunidade religiosa. No primeiro andar térreo situava-se, apenas, uma parte do ângulo este-sul do convento, destinado à acomodação de alguns religiosos.

Grande parte do Convento, nomeadamente, escadarias, salões, corredores e cozinha, exemplar por excelência, encontravam-se revestidos de belos azulejos do século XVIII, descrevendo inúmeras cenas religiosas e outras profanas, tal como actualmente se podem admirar.

III. Jardins e Tapada das Necessidades

O exterior do Convento dispunha de uma zona extensa, destinada à cultura do trigo e, inclusivamente, um moinho de vento. Na sequência das aquisições efectuadas por D. João V, este Convento veio, assim, a usufruir da maior e melhor cerca dos conventos de Lisboa.

O jardim do buxo, ao estilo bem português, encontrava-se adstrito ao Convento e apresentava canteiros de configuração geométrica, rematados por vasos grandes de pedra branca e um pequeno lago central rente ao chão. Este jardim era rodeado por um muro alto, no qual existiam nichos com estátuas representando as virtudes, em escala superior à humana e hoje desaparecidas. Existia, ainda, uma cascata rematada por um frontão triangular ornamentado com as estátuas de dois meninos abraçados, um deles lançando água por um búzio.

Num nível superior ao do jardim do buxo situava-se a horta que tinha, igualmente, uma taça ou pequeno lago no centro com repuxo. Existia, ainda, dentro da cerca, a tapada cortado por largas veredas, ladeadas de cedros e ciprestes e com lagos.

Com a extinção das ordens religiosas e com a passagem a residência de membros da família real, a que foi votado o Convento das Necessidades, também os seus jardins e cerca foram adaptados a um novo estilo de vida. Em 1843, o rei D. Fernando II, nascido príncipe de Saxe-Coburg-Gotha, transformou a tapada dos frades oratorianos num elegante jardim ou parque inglês, nele existindo arbustos e flores raras que muito contribuíram para o embelezar. D. Fernando mandou, inclusivamente, vir o famoso jardineiro francês Bonard, para alterar o jardim da cerca das Necessidades.

Mais tarde, o seu filho, o rei D. Pedro V mandou construir, em atenção à sua mulher, a rainha D. Estefânia, nascida princesa de Hohenzollern-Sigmaringen, uma estufa circular, toda em vidro e ferro, coberta por uma grande cúpula e terminada por um gracioso minarete. Por sua vez o rei D. Carlos I mandou construir um pavilhão que sua mulher, a rainha D. Amélia, nascida princesa de Orleans, costumava utilizar como atelier para desenhar e pintar e, ainda, um campo de ténis para os príncipes, D. Luís Filipe e D. Manuel.


Do site Causa Monárquica, http://causamonarquica.wordpress.com/category/dcarlos/page/6/ transcreve-se esta curiosidade:


Palácio das Necessidades

D.Carlos foi um político desastrado que não soube ouvir as vozes do descontentamento popular, embora fosse um homem extremamente culto e com forte talento diplomático, tendo sido várias vezes incompreendido pelos políticos do seu tempo.

Foi, no entanto, um homem apreciador das tecnologias que começavam a surgir no princípio do século XX. D.Carlos instalou luz eléctrica no Palácio das Necessidades e fez planos para a electrificação das ruas de Lisboa.

Embora fossem medidas sensatas, contribuíram para a sua impopularidade visto que o povo as encarou como extravagâncias desnecessárias. Carlos foi ainda um amante da fotografia e autor do espólio fotográfico da família real. Foi ainda um pintor de talento, com preferências por aguarelas de pássaros que assinava simplesmente como Carlos Fernando. Esta escolha de tema reflectia outra das suas paixões, a ornitologia.

Fotografias, pesquisa e selecção de textos de Luís Filpe Maçarico

Sem comentários: