sexta-feira, 28 de agosto de 2009

AS ÁRVORES DA TAPADA DAS NECESSIDADES - A ALFARROBEIRA













ALFARROBEIRA (Ceratonia siliqua)


CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA

Reino: Plantae

Divisão: Magnoliophyta

Classe: Magnoliopsida

Ordem: Fabales

Família: Fabaceae

Subfamília: Caesalpinioideae

Género: Ceratonia

Espécie: Ceratonia siliqua L.


Nomes vulgares: O nome alfarrobeira deriva do vocábulo árabe al kharoubah que noutros idiomas deu lugar a algarrobo, algarrobero (espanhol), carruba (italiano), caroube (francês), carob tree (inglês) ou karoub (hebreu).


ORIGEM, DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E CARACTERÍSTICAS


A alfarrobeira é uma árvore dióica (flores masculinas e femininas em pés distintos), de folha persistente composta de 2-5 pares de grandes folíolos arredondados, coriáceos e lustrosos, que atinge cerca de 10 a 20 m de altura, com copa ampla e densa e um tronco curto e grosso de casca acizentada e lisa. A alfarroba é o fruto da alfarrobeira, trata-se de uma vagem de 10-25cm de comprimento, comestível, pendente, verde no início, violeta-acastanhada na maturidade e sabor adocicado (contendo 40% de açúcares). Na alfarroba, tudo pode ser aproveitado, desde a semente, donde é extraída a goma, com múltiplas utilizações na indústria alimentar, farmacêutica, têxtil e cosmética, até à polpa essencialmente utilizada na alimentação animal.


A alfarrobeira é uma árvore com uma grande longevidade, podendo viver várias centenas de anos. Trata-se de uma árvore rústica, capaz de se desenvolver e frutificar em condições adversas de grande secura e em solos calcários. Além de representar um valor económico elevado, a sua cultura enriquece e melhora os solos.

Como curiosidades, gostaríamos de referir que dentro da alfarroba encontram-se 10 a 16 sementinhas de cor parda, os quilates, que eram utilizados pelos mercadores da Antiguidade, devido ao seu pouco peso e uniformidade, para avaliar o peso das jóias-daqui as palavras “karat” e “kilat”.

De referir também que em túmulos no antigo Egipto foram encontrados vestígios de alfarroba, o que leva a supor que esta vagem seria utilizada para a preparação de múmias.


A alfarrobeira é uma espécie típica da flora mediterrânica. Terá sido trazida pelos gregos da Ásia Menor. Existem indícios de que os romanos mastigavam as suas vagens secas, muito apreciadas pelo seu sabor adocicado. Como outras, a planta teria sido levada pelos árabes para o Norte de África, Espanha e Portugal. Em Portugal existe predominantemente a Sul do Tejo, sendo no Algarve, na zona do Barrocal, que tem a sua principal expressão ecológica e económica. De folhagem escura e densa, contrasta com a folhagem verde acizentada pálida das oliveiras que com elas partilham o mesmo habitat.

Actualmente a alfarrobeira está distribuída desde o Egipto à Grécia, Sul da Europa, ilhas Mediterrânicas, Norte de África e ainda o Sudoeste dos Estados Unidos, Hawai, Austrália e África do Sul.

A produção mundial de alfarroba é da ordem das 300 mil tons/ano, e concentra-se em redor do Mediterrâneo, concretamente em Espanha, Itália, Portugal e Grécia, onde se produz cerca de 75% do total mundial. O principal produtor de alfarroba é a Espanha, seguindo-se a Itália e em 3ª. Posição encontra-se Portugal.

Esta planta há séculos que vem contribuindo para a economia da bacia mediterrânica, como alimento das populações humanas, animais, fabrico de aguardente, xaropes e produtos farmacêuticos. Laxativas no estado verde, as alfarrobas são antidiarreicas no estado maduro.


FLOR E FRUTO


O período da floração vai de Fevereiro a Abril. O mecanismo natural de reprodução desta espécie começa com a queda do fruto maduro (uma vagem) no Outono/Inverno,a partir do qual se produz uma putrefacção da vagem ficando livres as sementes que se distribuem pela manta vegetal. O sucesso da germinação na Primavera seguinte dependerá das condições edafo-climáticas em que decorreu essa putrefacção.

Na reprodução em estufa, acelera-se o processo natural a partir de frutos bem maduros de onde se extraem as sementes que são lavadas, secas e armazenadas à temperatura ambiente. Devido à dimensão da semente (5-7mm), a sementeira é feita individualmente em alvéolos com cerca de 800cm3, que foram previamente cheios com substracto adequado. Nestas condições são necessários 30 a 40 dias para a plântula eclodir, e estará pronta para transplante em local definitivo ao fim de cerca de 18 meses.


ALFARROBEIRAS NA TAPADA DAS NECESSIDADES


Sob a Casa do Regalo existe um “grotto” com uma fonte de onde parte um eixo ladeado por muros altos e caiados, por onde corria uma cascata de água de 35 m de extensão, e onde até há pouco tempo existia uma colecção de plantas de ambiente fresco.

O eixo termina num alto muro de suporte de terras, semi-circular, com bancos de descanso em pedra de calcáreo e uma fonte barroca com taça de mármore ao centro. De cada lado da fonte há um arco fechado com portas de madeira de ripado de duas abas que dão acesso ao eixo, com canteiros longitudinais, dois laterais e um central.

Este é o local na Tapada ideal para encontrarmos as alfarrobeiras. De facto aí podem ser observados 3 magníficos e frondosos exemplares, um em cada extremidade do muro de suporte de terras, e outro frente ao lago de 14 m de diâmetro com um repuxo de cantaria no centro, que se encontra no meio de um grande largo que dá um magnífico enquadramento ao conjunto, grotto, eixo, muro, fonte e lago, que data do séc.XVIII.

Os três exemplares aqui referidos, estão representados nas fotos que acompanham este trabalho.


EXEMPLARES CLASSIFICADOS NA CIDADE DE LISBOA


Não são conhecidos exemplares desta espécie classificados na cidade de Lisboa.


João Pinto Soares Lisboa (texto e fotografias)

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