quarta-feira, 21 de agosto de 2013

AS AVES DA TAPADA DAS NECESSIDADES


OS PSITTACIFORMES
Psittaciformes é uma ordem de aves que inclui mais de 360 espécies. O grupo inclui aves  muito populares  e conhecidas tais como: papagaios, periquitos e araras.

De forma geral, os psitaciformes  caracterizam-se  pelo bico  com a mandíbula superior recurvada sobre a inferior. Esta forma de bico é uma adaptação à alimentação à base de sementes e frutos. Estas aves são normalmente muito coloridas e algumas  espécies são capazes de aprender  a reproduzir sons de fala humana, razões que estiveram na origem da sua introdução maciça na Europa como animais de companhia.

Os psitaciformes têm distribuição geográfica vasta, ocupando as regiões quentes   e  temperadas de todos os continentes. 
A maior diversidade do grupo encontra-se na Oceania, América Central e   América do Sul. A única espécie nativa do Hemisfério Norte foi o Periquito-da-carolina, que habitou o Sudeste dos Estados Unidos e se extinguiu no início do Século XX.


 No passado recente, desapareceramdiversas espécies de psitaciformes, em particular as nativas das ilhas do Oceano   Pacífico colonizadas  durante  a   expansão polinésia.

O registo geológico mais   antigo atribuído  a uma ave do grupo data do período  Cretácico   e  consiste  num fragmento da parte   inferior   de  um bico, encontrada no Wyoming   (Estados Unidos da América)e semelhante à dos   periquitões modernos. A diversidade de espécies no Hemisfério Sul sugere   que   o   grupo   seja   originário do antigo   continente Gondwana,  mas   esta    ideia  não   é   consensual  na comunidade científica tendo em conta que a maior abundância de fósseis de  psitaciformes se  encontra na   Europa. Os    esqueletos  completos  mais antigos  que  foram encontrados datam  do  Eocénico   da   Inglaterra e Alemanha.

Os PERIQUITOS NA TAPADA

Durante as  minhas não   tão    frequentes como  desejaria preambulações pela Tapada das Necessidades, foi-me dado constatar a presença de numerosos periquitos que em   bandos ruidosos,   mais   ou menos  numerosos,   atravessam os céus e procuram as árvores da Tapada das Necessidades, sendo   mais   activos e ruidosos nos finais das tardes e no início das manhãs.

Notei a presença de  pelo  menos duas   espécies, ambas    pertencentes  ao grupo dos Psittaciformes: O periquito-de-colar   ou  periquito-rabo-de-junco ( Psittacula krameri )      e   o   periquitão-de-cabeça-azul
(Aratinga acuticaudata ), que a seguir vou tentar descrever. Não posso garantir que não existam indivíduos de outras espécies de psitacídeos, já que nos últimos anos se tornaram   uma   família exótica   bem aclimatada aos jardins de Lisboa.






Periquito-de-colar




Macho e fêmea de periquito-de-colar

O  periquito-de-colar ou periquito-rabo-de-junco (Psittacula krameri)

Classificação científica

Reino:      Animalia
Filo:         Chordata
Classe:    Aves
Ordem:    Psitaciformes                                                                            
Família:   Psittacidae                                                       .
Género:   Psitaculla                                          
Espécie:  Psitaculla krameri                            


O  periquito-de-colar ou periquito-rabo-de-junco (Psittacula krameri) é uma espécie da família Psitacidae. Originária das    florestas  da Ásia,   encontra-se  amplamente distribuída na Ásia, África e Europa.
O Periquito   de Colar é   um papagaio de cauda longa que vive   em  bandos   mais ou menos numerosos. Estas aves escolhem  uma    pequena  região para viver  e vão dentro dessas   delimitações   mudando   de   poiso  em busca de comida.

Características


Comprimento:     38-42 cm
Envergadura:      42-48 cm
Habitat:               parques e jardins urbanos.
Postura:               2-4 ovos.
Incubação:          22-24 dias.
Alimentação:       sementes, bagas e frutos.

A plumagem natural do Periquito de Colar   é  verde clara. Possuem  um bico grande em forma de gancho,  vermelho na mandíbola  superior e preto na inferior. Os machos têm um característico colar ou banda preto e rosa   azulado à volta da   zona   do pescoço que surge entre os dois  e os três   anos   de   idade.   Este   traço   permite    distinguir visualmente os machos das fêmeas, nas  quais o colar ou é inexistente   ou   é verde. Estes   papagaios    elegantes medem entre 38 e 43 cm. A   longa   cauda    mede  quase metade   do comprimento     total. As aves jovens assemelham-se   às   fêmeas   e   podem ter a cauda mais curta.

Originária da Ásia e da África, foi observada pela primeira vez em Portugal  no estuário do Tejo, nos finais dos anos 70 do século passado. A maioria  da população (algumas centenas de indivíduos) vive nos   parques   e   jardins da Grande Lisboa, onde   se   alimenta   de   frutos, bagas  e sementes. No entanto, também      colonizou   o   Porto (Parque da Cidade) e a Comporta, e   há observações em Guimarães,  Alvor e Torres Novas. A sua   presença entre nós deve-se   a   fugas   do   cativeiro   ou   a  libertações deliberadas.

Estas aves podem viver até aos 30 anos, embora a média seja   mais   baixa e ronde os 20. É   uma   espécie   muito    resistente a qualquer tipo de doença. Gostam muito do sol e detestam o frio. Nidificam em cavidades de árvores. Os casais são inseparáveis, formando-se quase sempre para toda a vida.


                      
O PERIQUITÃO–DE-CABEÇA-AZUL
Aratinga acuticaudata


Classificação científica


Reino:      Animalia
Filo:         Chordata
Classe:    Aves
Ordem:    Psitaciformes                                                                            
Família:   Psittacidae                                                       .
Género:   Aratinga                                          
Espécie:  Aratinga acuticaudata 
                        


Características


Não confundir com  o mais   estridente  e abundante periquito-de-colar, referido anteriormente, de facto, distingue-se pelo  seu tamanho  ligeiramente menor, pela coloração da  cabeça, do  bico e  das  patas,  pelas vocalizações e, sobretudo, pelas penas caudais avermelhadas. Há observações em Évora e Faro, mas é em Lisboa que a espécie prospera. Originário  da América do Sul, e fugido do cativeiro, as primeiras observações remontam a 1998, no Jardim   da Estrela, onde existiam pelo menos sete indivíduos como refere Rafael Matias no livro Aves exóticas que nidificam em Portugal Continental (2002). Em 2007 figurava   na   categoria   E3 da Lista Sistemática das Aves de Portugal Continental (publicada no Anuário Ornitológico) , ou seja a de “espécies observadas de forma ocasional  sem indícios de reprodução”. A verdade é que o periquitão-de-cabeça-azul é já presença regular em vários jardins da capital (Jardim Botânico da Universidade   de Lisboa, Jardim do Torel, Tapada da Ajuda, Jardim do Campo Grande, Quinta das Conchas, Jardim Amália Rodrigues e também na  Tapada das Necessidades). Daí que, e como escreve Rafael Matias no Anuário Ornitológico (2011), é “improvável que não haja reprodução em liberdade”.

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