quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Cartão de Bom Comportamento


Antigamente, para se entrar na Tapada das Necessidades era indispensável ter um cartão de identificação, emitido pela secretaria daquele espaço, então tutelado pelo Ministério da Agricultura e Pescas, após fazer prova de residência e de uma série de requisitos, sem os quais seria impossível obter aquele passaporte, para desfrutar do belíssimo paraíso.
Quando eu era pequeno, as vizinhas com cartão assumiam a responsabilidade de me levarem a passear, brincar e lanchar em boa companhia. Suponho que uma delas terá até apadrinhado a minha inserção no clube dos bem comportados...
E foi assim durante décadas, até que se tornou possível que toda a gente pudesse visitar a Tapada, sem humilhantes crivos ou impedimentos ditados por mentes iluminadas, que face às notícias mais recentes dá a sensação de estarem a renascer sob a forma de unhas pensantes.
Lembro-me de ir para ali estudar com a Alexandra, naquelas mesas ao pé da estufa grande, de fugir de um bando de gansos que embirraram com a voz de um amigo, de levar ali toda a gente que estimo, de assistir a memoráveis concertos pela banda da Armada, de ter provado medronhos em Novembro, que tombavam maduros no chão ao pé do atelier de pintura de Dona Amélia e de ter lançado o meu livro de poesia "A Secreta Colina", antecedido por uma passagem de modelos de óculos, à beira do lago que voltou a ser frequentado por meia dúzia de patos reais ...
Quis deixar aqui este depoimento para que possamos reflectir acerca do quão vital é termos um jardim destes na cidade e perto da nossa residência, para percorrermos quando desejamos e de como é constrangedor imaginar que a entrada pode voltar a não ser livre.
Luís Filipe Maçarico
(Antropólogo; poeta)
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Carta de Leitor no Jornal "Conversas de Café" sobre a Tapada das Necessidades



Na sua edição nº 28, página 7, o jornal “Conversas de Café” publicou uma coluna informativa com o título “Salvemos a Tapada das Necessidades”, com a seguinte notícia:

“No passado dia 19 de Janeiro, o director do Conversas de Café encontrou-se com o Grupo de Amigos da Tapada das Necessidades (Freguesia dos Prazeres), para manifestar o apoio do nosso jornal à justa exigência da população de que a Tapada continue aberta ao usufruto público.
A este propósito reproduzimos, parcialmente, a carta de um leitor:
«Foi com muito agrado e com alguma tristeza que li o artigo V/ sobre a Tapada das Necessidades (junto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros).
1º A Tapada deverá continuar um bem de todos (…) e como sempre o fizeram
2º Entristece-me o estado de degradação que se tem verificado.
3º Os lagos não têm peixes nem patos, mas sim lodo nauseabundo.
4º O passeio pedonal está completamente degradado, inclusive (…) as quedas são constantes.
5º Lagos, há sim mas das águas da chuva que não são escoadas para os esgotos. A Tapada é um bem que foi doado, é de grande utilidade pública. Não a entreguem ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.
A estufa, como muitos locais, está degradadíssima e é incrível como podem circular tantos automóveis dentro da Tapada.
(…)»
Ferreira de Oliveira
Fotografias de Rosário Fernandes

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

UM OÁSIS NA CIDADE




A frase de Maria do Rosário Baptista, revela o ambiente paradisíaco deste pedaço da cidade, verdadeiramente encantado. É também o título de uma pesquisa, disponível para quem deseje conhecer melhor a História da Tapada das Necessidades, no Centro de Documentação dos Prazeres.
Texto e Fotos LFM

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A Tapada das Necessidades Não Pode Fechar!






Com o título em epígrafe, apareceu hoje nas caixas de correio e em locais públicos da freguesia dos Prazeres, um comunicado assinado pela CDU, onde após ser recordado o valor daquele "espaço verde ímpar para a Freguesia dos Prazeres e para a cidade de Lisboa" se lembra que"o seu usufruto a toda a população foi conquistado há muitos anos com a acção da população e importa mantê-lo livre e sem condicionalismos institucionais de qualquer espécie".

Neste comunicado informa-se que "A Direcção Geral do Tesouro e Finanças pediu à Junta de Freguesia dos Prazeres para que lhe fossem entregues as chaves das portarias da Tapada, com o objectivo da gestão daquele espaço verde ficar dependente da secretaria-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros. O seu acesso não pode ficar condicionado!"

Lê-se ainda que "Por proposta da CDU foi aprovada por unanimidade uma moção na Assembleia de Freguesia dos Prazeres que chama a atenção para o estado de degradação da Tapada (...) Os vereadores do PCP visitaram a Tapada das Necessidades, ouviram a população e apresentaram na CML uma proposta que dê ao Município a responsabilidade de conservação, manutenção e gestão dos espaços exteriores da Tapada das Necessidades e que permita utilização de edificações abandonadas à Junta de Freguesia dos Prazeres, para albergar actividades de interesse para a população local. Esta proposta foi aprovada em reunião de Câmara por unanimidade."

A terminar, o comunicado sublinha que "A sua voz é também importante na defesa de um espaço único (...) Todos temos um papel importante a desempenhar para proteger este local! Visite a Tapada! (...) Junte a sua à nossa voz para continuarmos a ter um espaço verde de lazer de primeira qualidade que pode e deve ser usufruído por todos nós!"

Fotos: Rosário Fernandes

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Grupo Municipal de "Os Verdes" e Comissão Permanente de Ambiente e Qualidade de Vida da Assembleia Municipal de Lisboa preocupados com Tapada



Recebemos do Partido Ecologista Os Verdes, a seguinte informação:

"Foi solicitado pelo Grupo Municipal de "Os Verdes" que se incluísse na Ordem de trabalho da Comissão Permanente de Ambiente e Qualidade e Vida a situação da Tapada das Necessidades e que depois se preparasse uma recomendação para ser discutida e votada na Assembleia Municipal, tendo sido aprovada por unanimidade. "
Em anexo, a recomendação aprovada por unanimidade na sessão da Assembleia Municipal de ontem, dia 22 de Janeiro:
RECOMENDAÇÃO

Exm.ª Sr.ª Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa:

Encarrega-me a Sr.ª Presidente da Comissão Municipal Permanente do Ambiente e Qualidade de Vida, a mim Secretário da dita Comissão Municipal, de informar V. Ex.ª de que em Reunião Ordinária em 15 de Janeiro do ano corrente, esta Comissão tomou conhecimento da mais recente evolução da situação relativa à Tapada das Necessidades, incluindo a Audiência Prévia da iniciativa da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, onde anuncia a intenção de retirar as Portarias Sul e Este à responsabilidade da Junta de Freguesia dos Prazeres, entregando-as à Secretaria-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, pela razão que alega de a este Ministério estar já afectado o antigo Palácio Real das Necessidades contíguo à mesma Tapada.

Decidiu a 2ª Comissão Municipal Permanente, pela unanimidade de todos os seus membros presentes na referida Sessão, enviar a V. Ex.ª a seguinte Recomendação, expressando o seu consenso, para ser apresentada, caso V. Ex.ª o considere adequado à luz das disposições regimentais, à apreciação e votação na Assembleia Municipal a ter lugar no próximo dia 22 de Janeiro corrente.

Considerando que:

Através de Protocolo estabelecido em 1990 entre o Ministério da Agricultura, a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia dos Prazeres, a Tapada das Necessidades passou a estar aberta ao público, inicialmente apenas no período diurno em dias úteis e posteriormente também aos Sábados, Domingos e Feriados, situação que há longos anos era almejada pela população local e geral da Cidade:
O Protocolo definiu a vocação da Tapada das Necessidades como área privilegiada de investigação florestal em silvicultura urbana e zona de lazer para a população, constituindo um espaço de interesse público nas suas vertentes lúdicas e culturais, que urge preservar e utilizar em seu beneficio.
Este instrumento de colaboração entre as instituições signatárias foi sendo sucessivamente renovado até ao presente, reconhecendo-se em cada renovação a significativa recuperação do espaço que determinou.
Não tendo as construções existentes e espalhadas pela sua área sido beneficiadas porém pelo estabelecimento de Protocolo/s equivalente/s, estiveram estas negligenciadas por largos anos, com evidente prejuízo para a sua conservação e componente paisagística.
O conjunto do Palácio, Torre, Capela, Fonte Monumental, Jardins e Parque, incluindo todos os seus elementos escultóricos e decorativos, foram classificados de Interesse Público, pelo Decreto do Governo n.º 8/83 de 24JAN, com Zona Especial de Protecção a ser definida pela Portaria n.º 552/96 de 04SET do Ministério da Cultura.
Não obstante este facto, continuam a ser efectuadas transformações, modificações e construções no interior desse perímetro especial de Protecção, nomeadamente pelo próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros, com desconhecimento total dos factos pela Câmara Municipal de Lisboa e outras entidades competentes.
No interior da Tapada encontra-se a funcionar desde as primeiras décadas do século transacto, uma Escola Básica e em anexo um Jardim Infantil, podendo as crianças usufruir, em pleno centro histórico de Lisboa, de área de recreio com localização privilegiada e extraordinária qualidade ambiental, que será de preservar a todo o custo.
A Tapada das Necessidades faz parte integrante do património verde da cidade de Lisboa, não devendo ser cedida a entidade com interesses particulares sobre esse espaço público.

A Comissão Municipal Permanente de Ambiente e Qualidade de Vida, recomenda à Câmara Municipal de Lisboa que, em sequência da aprovação unânime em Sessão de Câmara da Proposta n.º 504/2007 de 22NOV, proceda com urgência no sentido de:

Promover a celebração de Protocolo de Colaboração para a conservação e gestão da Tapada das Necessidades, assumindo a Câmara Municipal de Lisboa os respectivos encargos, mediante a transferência pelo Estado dos correspondentes recursos.
Obter que a classificação de Interesse Público seja alargada à proibição de quaisquer construções novas.
Definir o Regime Geral de utilização de funções do Estado em edificações no interior da Zona Especial de Protecção.
Atribuir a utilização das edificações abandonadas a actividades do interesse da população local, compatíveis com a salvaguarda do património, estabelecendo para o efeito os Protocolos que encontre adequados com a Junta de Freguesia.
Incumbir os serviços municipais de definir e quantificar a reabilitação das construções, espaços e caminhos, assim como os encargos decorrentes da sua manutenção, no objectivo de continuidade de abertura e fruição gratuita pelo público em circunstâncias idênticas às decorrentes do cumprimento dos Protocolos ora em vigor.
Vincular a Câmara Municipal e os outros intervenientes à permanência na sua localização actual da Escola Básica n.º 128, assegurando a sua conservação e optimização do respectivo equipamento escolar.

O Secretário da 2ª Comissão Municipal
(João de Magalhães Pereira)
Foto: Rosário Fernandes

domingo, 20 de janeiro de 2008

O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades distribuiu ''Conversas de Café'' na Freguesia dos Prazeres






O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades distribuiu em algumas ruas da freguesia dos Prazeres, com a presença solidária do presidente da Junta, dezenas de exemplares do nº 27 do jornal ''Conversas de Café''. O director do periódico, António Pinho, o presidente da Aldraba e outros dirigentes associativos acompanharam esta iniciativa que visou sensibilizar moradores e comerciantes.
texto e fotos LFM

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tapada das Necessidades no Jornal Conversas de Café


Amanhã, sábado dia 19 de Janeiro, pelas 11 horas da manhã, na Praça da Armada, o Jornal "CONVERSAS DE CAFÉ", na pessoa do seu director António Pinho, efectua uma distribuição do número 27 daquele quinzenário, onde há uma chamada de atenção na primeira página e um artigo dedicados à Tapada das Necessidades.
Hoje à tarde, a partir das 17 h já é possível aceder a esta edição, na Praça do Comércio, junto aos barcos.
Texto:LFM; Fotografia: Rosário Fernandes