terça-feira, 11 de março de 2008

Quando a RTP veio à Tapada



João Pinto Soares enviou-nos fotografias que documentam a ida de uma equipa de reportagem da Radiotelevisão Portuguesa à Tapada das Necessidades, para recolher imagens do espaço e realizar as entrevistas aos Grupo dos Amigos, que passou nos pequenos écrans há cerca de um mês...
Fica o apontamento, que regista a mediatização em torno da salvaguarda deste património, face aos apetites de organismos estatais, que anseiam apoderar-se de mais esta "coutada"...
Texto:LF; Fotos: João P. Soares.

sexta-feira, 7 de março de 2008

A Colaboração de Egas Branco




Na Tapada das Necessidades

As fotografias que juntamos são da Primavera de 1963. Tínhamos então pouco mais de 20 anos e toda a esperança do mundo, mesmo que vivêssemos em tempos sombrios, sem liberdade.
Situação que no entanto haveria de durar mais onze longos e penosos anos, de muitas lutas e de guerra, mas com a convicção do fim próximo do regime fascista e uma grande esperança no futuro.

Os passeios na Tapada, com os elementos mais jovens da família, deixaram-nos recordações imperecíveis, pela beleza e tranquilidade do local, onde por vezes também aproveitávamos, ainda estudantes, para preparar exames, já que desde 1959 residíamos na Freguesia.
Nestas fotos foca-se o então belíssimo lago dos nenúfares, a fazer lembrar as pinturas de Claude Monet sobre o tema. Hoje, quase meio século passado, o lago, tal como aliás a Tapada, encontra-se vazio e abandonado, apesar de se manter inalterada a beleza e tranquilidade do espaço.

Lamenta-se o desprezo a que a Tapada tem sido votada nos últimos anos, mas isso, infelizmente, tem também a ver com as políticas de quem nos tem governado nestes anos, principais responsáveis pelo enorme desalento que nas últimas duas décadas foi tomando conta de grande parte da população, que parece hoje paradoxalmente acreditar menos no futuro que nós, há cinquenta anos atrás, embora não tivéssemos então ainda a liberdade.

E como se não bastassem o abandono, os atentados ao bem público, as destruições para construção de parques de automóveis, arrecadações ou anexos, que roubaram espaço à Tapada e destruíram flora, fruto de interesses vários e da insensibilidade dos políticos no poder, eis que paira agora sobre ela a ameaça de a tornar privada, provavelmente para gáudio exclusivo dos “importantes visitantes” do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que aliás ocupa, indevidamente segundo alguns, o belíssimo palácio (ou que o resta interiormente dele…), que deveria ser, ele também, espaço aberto às visitas da população e turistas, porque faz parte do nosso património, colocando-o e à Tapada, no roteiro turístico da nossa cidade.

Agora, o pretexto para a proibição de usufruto pela população é a “segurança”. Tal como há cinquenta anos, e até ao 25 de Abril, a justificação era idêntica. Razão pela qual nesses anos sombrios os guardas da Tapada identificavam os visitantes, depois de os fazerem passar pelo crivo de uma autorização escrita. Mas os privilegiados lá iam conseguindo entrar.
É pois o regresso de uma mentalidade de controlo e censória, a que estamos a assistir, que também muito nos preocupa, e cujos efeitos se multiplicam diariamente, com novas leis tendentes a controlar em todos os sentidos a liberdade dos cidadãos, até no seu direito de associação!

Pensando nos mais novos, na Escola que está magnificamente localizada na Tapada, mas também nos que se aproximam do fim da vida e poderiam aproveitar ludicamente este belíssimo espaço, como a Junta de Freguesia aliás vem defendendo, tudo isso reforça a necessidade da manutenção deste espaço público, mas convenientemente tratado.
Que os Amigos da Tapada continuem a luta pela sua defesa, evidentemente com o apoio, imprescindível, da população.

25 de Fevereiro de 2008, Egas Branco

NOTA: Agradecemos esta colaboração e partilhamos o texto e as fotos que chegaram com o texto por e-mail. Ficámos mais enriquecidos com o testemunho deste amigo. Bem Haja.

quinta-feira, 6 de março de 2008

TARDE MÁGICA


Um destes dias a minha colega Ana falou da tarde mágica que passou com os filhos descobrindo a tapada...
Faça também essa descoberta.
foto e texto LFM

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Mais de Setenta Caminheiros Percorreram a Tapada










São Pedro apenas deixou cair uns pingos inofensivos, duas horas após o início deste convívio, onde falaram além dos Amigos da Tapada, a vereadora Rita Magrinho, do PCP, o representante dos vereadores do PSD, dr. Luís Newton e o presidente da Junta de Freguesia dos Prazeres, engenheiro Magalhães Pereira.
Durante a caminhada, que constituiu mais um protesto cívico, o dirigente da Associação Lisboa Verde João Pinto Soares e o engenheiro do ambiente Carlos Moura esclareceram os visitantes acerca do jardim de cactos e dos dragoeiros.
Aderiram a esta iniciativa, em prol da salvaguarda do espaço público, dezenas de moradores, associações, deputados municipais e comerciantes, todos unidos em torno do lema Tapada Aberta, que motivou a capa e as páginas centrais do número 29 do jornal Conversas de Café, representado pelo seu director e por um repórter fotográfico.

texto e fotos LFM

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Dia 24 Venha Caminhar na Tapada!


O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, convida-vos para uma Caminhada à volta daquele maravilhoso pulmão verde de Lisboa, que decorrerá no próximo domingo dia 24 de Fevereiro, a partir das 10 horas da manhã.
A Tapada situa-se na freguesia dos Prazeres, junto ao Palácio das Necessidades.
Apareça e venha desfrutar de momentos de convívio, desfrute cultural e algum exercício, que fazem bem ao corpo e à mente!
Aderiram já a esta iniciativa (e estão a divulgá-la): a Junta de Freguesia dos Prazeres, a Associação Lisboa Verde, o jornal Conversas de Café, a Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular e o Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes".
Texto:LFM; Foto: Rosário Fernandes

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Depoimento de Magda Fonseca


De Magda Fonseca, amiga da Tapada e leitora deste blogue, recebemos este depoimento:
"Cresci em Lisboa, nesta Lisboa que amo. Prezo-me de a conhecer muito bem, porque esse amor me tem levado a lugares aonde só quem ama uma cidade pode ir espreitar, uma entrada para os cais, um recanto da Mouraria, subir de Sta. Apolónia, por dentro de um prédio e sair num beco de Alfama... Graça com as suas Vilas, os Pátios desde o Bagatela até ao 90 da Possidónio da Silva. Poderia ficar a noite inteira e não acabaria de enumerar os sítios de que tanto gosto.
Isto para dizer que sabia, evidentemente da Tapada das Necessidades, como tapada do Palácio "real". Porém penso que só quando era pequena a tinha visitado. Quis o destino que fosse para a Junta de Freguesia dos Prazeres. Como era meu dever calcorreei a freguesia de lés-a-lés. Posso dizer que a conheço como as minhas mãos.
Assim, durante os sete anos que lá estive, muito haveria para contar relativamente à nossa Tapada.
Discutia-se com várias entidades o direito de uso pelo público, ou não. Abria-se só no horário da Escola 128, agora Fernanda de Castro. Mas considerámos isso como inaceitável, o público tinha o direito defruir aqueles 10 hectares de verde do centro da cidade...

Por isso fomos lutando e conseguindo a pouco e pouco que a Junta ficasse com algumas responsabilidades e assinou-se um Protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa e Ministério da Agricultura, para que estivesse aberta aos fins de semana. A Junta arcou sempre com as despesas dos guardas/porteiros.
Do que aproveitámos do espaço maravilhoso, posso dar testemunho de actividades, como Concertos pela Banda da Armada, Passagens de modelos, festas para crianças e adultos, tais como o Pic-Nic de Verão, as festas de encerramento dos programas Praia-Campo, quer dos infantis, como dos séniores, passando pelas festas escolares, em que se juntavam as crianças das três escolas da Freguesia nas festas da Primavera, da Páscoa e no fim dos anos lectivos.

Como era maravilhoso ver as centenas de crianças a fazerem Ateliers de pintura, a correrem em busca dos ovos da Páscoa, a alegria em liberdade, em espaço verde e ao qual eles tinham a sensação de pertença. Os contadores de histórias com elas sentadas, muito atentas a ouvi-los no meio do chilreio dos pássaros e do som da água a correr nosriachos.

As brincadeiras no Parque Infantil. E terem uma escola naquele espaço? poderem respirar ar puro no centro da Capital? Eram e ainda são os nossos meninos que têm, pelo menos esse privilégio, já que outros não têm. Representações e exibição de ginástica de crianças e classes de idosos.

Esta luta que encetámos, tem continuado e prossegue felizmente com o Grupo dos Amigos da Tapada, que procura partilhar com todos os cidadãos de Lisboa as suas preocupações pelas intenções explícitas, desde já, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e outros de vedar o acesso ao público e retirar à Junta as chaves do espaço que é de todos.
Este testemunho só terá interesse para se ver que a Junta de Freguesia sempre aproveitou todas as oportunidades para dar vida à Tapada e fazer com que ela fosse partilhada por todos os moradores e visitantes, para apreciarem o Jardim dos Cactos, a Estufa, a Casa Fria, a beleza e a raridade de muitas espécies que enchem aquele soberbo espaço.
Só posso terminar com um apelo a que se juntem ao Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades e participem no blogue
Magda Fonseca"
Fotografia deRosário Fernandes

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Defendendo a Tapada - Um Artigo de António Eloy



Posted by Picasa

Recebemos de António Eloy um artigo, expressamente escrito para este blogue, que publicamos com muito gosto, agradecendo a atitude solidária deste amigo da Tapada das Necessidades:

"Durante muitos anos vivi em Campo de Ourique e regularmente ia até à Tapada ver o tempo passar, sentir o crescer das plantas, deliciar-me com o jardim dos cactos, de tantas e diversas características ou ver passar, com o tempo um ou outro papagaio.

Recordo também, com a memória a rebobinar o tempo, fabuloso espectáculo que vi e em que participei, do teatro “O Bando” em duas ou três noites de esplendor.

Mesmo quando deixei de morar em Campo de Ourique a Tapada continuou a merecer a minha presença, embora mais em pensamento, que é o que comanda a vida, como sabemos.

Acasos da vida levaram-me a um novo empenho cívico, na lista Cidadãos por Lisboa e com Helena Roseta, e nesse âmbito respondendo ao convite dos Amigos da Tapada, com a Manuela Júdice tive ocasião de percorrer em pormenor este espaço e verificar os problemas que se lhe levantam, para um usufruto cidadão e para uma gestão sustentada, durante a campanha eleitoral.

Agora com funções voluntariosas no Gabinete Cidadãos por Lisboa temos procurado acompanhar o trabalho que o Gabinete do vereador dos Espaços Verdes José Sá Fernandes tem vindo a desenvolver nesta, para esta área, no âmbito, também, de proposta do P.C.P. que teve apoio generalizado na Vereação.

Os problemas são muitos, desde interfaces pouco claros, no momento em que escrevo, de tutela e competências até aos que se articulam com a contínua degradação deste pulmão citadino e da sua gestão articulada.

Duas ideias são todavia de reter: a questão da manutenção, em todos os casos, do acesso público a este espaço, sendo minha convicção que se devem encontrar soluções que contribuam para a sua melhor segurança, e uma recuperação da estatuária, dos valores do jardim romântico e dos espaços únicos que este encerra, e para isso terão que se encontrar soluções de financiamento, que poderão ser protocoladas, clarificada situação de tutela, sendo que essas devem incluir a recuperação dos caminhos e do espaço hoje utilizado como parque de estacionamento, penso que pelo I.D.N.

Essas são do meu ponto de vista as questões que nos devem motivar neste momento.

Numa 2ª fase criar eixos sócio-culturais na Tapada e programas de entrosamento desta com os vizinhos e os muitos dela amantes deve ser objectivo a desenvolver desde já. No nosso grupo politico e no âmbito da fraterna relação que temos tido com o Grupo de Amigos da Tapada tudo faremos para que estas ideias e estes objectivos sejam conseguidos.Sem procurar tirar qualquer galhardete de tal. O tempo não esquece.

Abraço amigo

António Eloy"