Elise Friederike
Hensler, nasceu na Suíça em La Chaus-de-Fonds, Neuchâtel, em 22 de
Maio de 1836 e faleceu em Lisboa, na Freguesia do Coração de
Jesus, em 21 de Maio de 1929, tendo recebido na morte o tratamento e as honras de uma figura de Estado; a rainha D. Amélia e o deposto rei D.
Manuel II mandaram o visconde de Asseca como seu representante ao funeral.
Percurso de vida
Aos doze anos, emigrou com a
família para Boston, nos Estados Unidos, onde recebeu uma cuidadosa educação. Amante das artes e das
letras, terminou os seus estudos em Paris. Ao longo dos anos tornou-se fluente em sete idiomas. Além de
cantora e actriz, Hensler era escultora, ceramista, pintora,
arquitecta e floricultora.
Após o término da sua
educação, Hensler actuou no Teatro alla Scalla, em Milão, Itália. No dia de Natal de 1855, em Paris, aos
dezanove anos, deu à luz uma menina,
batizada Alice Hensler, cujo pai era desconhecido, sendo
provavelmente um conde de Milão, do qual esteve noiva.
No dia 2 de Fevereiro de 1860, Elise chegou a Portugal como membro da
Companhia de Ópera de Laneuville para
cantar noTeatro Nacional de São João, no Porto. Actuou em
seguida no São Carlos, em Lisboa, no dia 15 de Abril
de 1860, interpretando o pagem Óscar da
ópera “Um Baile de Máscaras”, de Verdi. D. Fernando II, presente à sessão, apaixonou-se pela
bela cantora, então com vinte e quatro anos.
Elise Hensler e D. Fernando II, rei de Portugal
Em 10 de Junho de 1869,
desposou Fernando II, em Benfica, na capela do
palácio de S. Domingos. Recebeu o título de condessa de Edla dias antes da cerimónia, concedido por
Ernesto II, Duque de Saxe-Coburgo-Gota. Foi a segunda esposa de Fernando II de Portugal, viúvo de D. Maria II. Mulher culta, dedicou-se com o
marido ao apoio de vários artistas, entre eles o mestre Columbano Bordalo Pinheiro e o pianista Viana da Mota.
Vida com D. Fernando II
O casal gostava de se
refugiar em Sintra, onde D. Fernando tinha comprado o abandonado Mosteiro de Nossa Senhora da Pena e iniciou sobre os 80
hectares adquiridos, com a cumplicidade da condessa de Edla, a construção de uma das obras mais marcantes do romantismo em Portugal. As plantações do Parque da Pena intensificaram-se por volta de 1869, tendo Elise procedido à introdução de espécies arbóreas naturais da
América do Norte.
Também em
Lisboa, a grande
paixão do rei pela
botânica e os largos conhecimentos que tinha sobre
esta ciência, levaram a que, tendo chamado o jardineiro francês Jean
Baptiste Bonard (1841), tivesse levado a cabo um trabalho que transformou radicalmente o aspecto dos 10 hectares da Tapada das
Necessidades.
A importação de plantas
destinadas aos jardins das Necessidades
e da Pena é talvez a parte mais bem documentada da contribuição do rei para o
incremento da arte de construir jardins.
É de salientar, no entanto,
que D. Fernando escolhe para a Pena uma vegetação
menos exuberante que para as
Necessidades, na qual
as palmeiras são a grande novidade. Para Sintra são as camélias, os redodendros e as grandes árvores resinosas de origem americana ou asiática,
Na zona ocidental do
Parque da Pena, em 1864,
a condessa iniciou a construção de um chalé, o qual ela mesma projectou em estilo dos chalés alpinos, localizado face ao Palácio da Pena, mantendo com este uma
importante relação visual. Em 1999, o chalé da condessa de Edla foi consumido por um
incêndio, estando neste momento aberto ao público depois de um
processo de restauro.
Morte
Em 1885, D. Fernando faleceu
e, em seu testamento, deixou à sua viúva
todos os seus bens, incluindo o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena, ambos em Sintra. Foi D. Carlos I que,
pagando 410 contos à condessa, conseguiu recuperar os dois castelos.
Elise Hensler, depois disso abandonou Sintra e
passou a viver com sua
filha Alice, que se casou
com Manuel de Azevedo Gomes. Faleceu na freguesia
do Coração de Jesus, em Lisboa, aos noventa e dois anos.
O seu jazigo encontra-se no
cemitério dos Prazeres, em Lisboa, e recria o cenário verde da Serra de Sintra, que ela tanto amava. Este jazigo, localizado na rua 2A com o
n.º 6399, é da autoria de Raúl Lino sendo composto pela sobreposição de blocos irregulares de granito provenientes da serra de Sintra, assentes numa base quadrada de calcário, envolta em densa
vegetação e encimados por uma réplica da Cruz Alta que se encontra no sítio mais alto do Parque da Pena, em Sintra.
Túmulo de Elise Hensler,
condessa de Edla no cemitério dos Prazeres.
Bibliografia
Teresa Rebelo, Condessa de Edla : a cantora de ópera quasi
rainha de Portugal e de Espanha.
Lisboa: Alêtheia Editores,
2006 (ISBN 989-622-031-X).
Pinto Soares