OS
PSITTACIFORMES
Psittaciformes é uma ordem de aves que inclui mais de
360 espécies. O grupo inclui aves muito populares e conhecidas tais como: papagaios,
periquitos e araras.
De forma geral, os psitaciformes caracterizam-se pelo bico com a mandíbula superior recurvada sobre
a inferior. Esta forma de bico é uma adaptação à alimentação à base de
sementes e frutos. Estas aves são normalmente muito coloridas e algumas espécies são capazes de aprender a reproduzir sons de fala humana, razões que estiveram
na origem da sua introdução maciça na Europa como animais de
companhia.
Os psitaciformes têm distribuição geográfica vasta, ocupando as regiões quentes e temperadas de todos os continentes.
A maior diversidade do grupo encontra-se na Oceania, América Central e
América do Sul. A única espécie nativa do Hemisfério Norte foi o Periquito-da-carolina, que habitou o
Sudeste dos Estados Unidos e se extinguiu no início do Século
XX.
No
passado recente, desapareceramdiversas espécies de psitaciformes, em
particular as nativas das ilhas do Oceano Pacífico colonizadas durante a
expansão
polinésia.
O registo geológico mais antigo atribuído a uma ave do grupo data do período Cretácico e consiste num fragmento da parte inferior de um bico, encontrada no Wyoming (Estados Unidos da América)e semelhante à dos periquitões modernos. A diversidade de
espécies no Hemisfério Sul sugere
que o
grupo seja originário do antigo continente Gondwana, mas esta ideia não
é consensual na comunidade científica tendo em conta que a maior abundância de
fósseis de psitaciformes se encontra na
Europa. Os esqueletos completos mais antigos que foram encontrados datam do Eocénico da
Inglaterra e
Alemanha.
Os PERIQUITOS NA TAPADA
Durante as minhas não
tão frequentes como desejaria preambulações pela Tapada das Necessidades, foi-me dado constatar a presença de numerosos periquitos
que em bandos ruidosos, mais ou menos numerosos, atravessam os céus e procuram as árvores da
Tapada das Necessidades, sendo mais activos e ruidosos nos finais das tardes e no
início das manhãs.
Notei a presença de pelo menos duas espécies, ambas pertencentes ao grupo dos Psittaciformes: O periquito-de-colar ou periquito-rabo-de-junco ( Psittacula krameri ) e o
periquitão-de-cabeça-azul
(Aratinga
acuticaudata ), que a seguir vou
tentar descrever. Não posso garantir que não existam indivíduos de outras espécies de psitacídeos, já
que nos últimos anos se tornaram uma família exótica bem aclimatada aos jardins de
Lisboa.
Periquito-de-colar
Macho e fêmea de
periquito-de-colar
O
periquito-de-colar ou periquito-rabo-de-junco (Psittacula
krameri)
Classificação
científica
Reino:
Animalia
Filo:
Chordata
Classe: Aves
Ordem: Psitaciformes
Família: Psittacidae
.
Género: Psitaculla
Espécie: Psitaculla krameri
O
periquito-de-colar ou periquito-rabo-de-junco (Psittacula
krameri) é uma espécie da família Psitacidae. Originária das florestas da Ásia, encontra-se amplamente distribuída na Ásia, África e
Europa.
O Periquito de Colar é um papagaio de cauda longa que vive em
bandos mais ou menos numerosos. Estas aves
escolhem uma pequena região para viver e vão dentro dessas delimitações mudando de
poiso em busca de
comida.
Características
Comprimento: 38-42 cm
Envergadura: 42-48
cm
Habitat: parques e jardins
urbanos.
Postura:
2-4 ovos.
Incubação:
22-24 dias.
Alimentação: sementes,
bagas e frutos.
A plumagem natural do Periquito
de Colar é verde clara. Possuem um bico grande em forma de gancho, vermelho na mandíbola superior e preto na inferior. Os machos
têm um característico colar ou banda preto e rosa azulado à volta da zona do pescoço que surge entre os dois e os três anos de
idade. Este traço permite distinguir visualmente os machos das
fêmeas, nas quais o colar ou é
inexistente ou
é verde. Estes papagaios elegantes medem entre 38 e 43 cm. A longa cauda mede quase metade do comprimento total. As aves jovens assemelham-se às
fêmeas e
podem ter a cauda mais
curta.
Originária da Ásia e da África,
foi observada pela primeira vez em Portugal no estuário do Tejo, nos finais dos anos
70 do século passado. A maioria da
população (algumas centenas de indivíduos) vive nos parques e
jardins da Grande Lisboa,
onde se
alimenta de
frutos, bagas e sementes. No entanto, também já
colonizou o
Porto (Parque da Cidade) e a
Comporta, e há observações em Guimarães, Alvor e Torres Novas. A sua presença entre nós deve-se a
fugas do
cativeiro ou
a libertações
deliberadas.
Estas aves podem viver até aos
30 anos, embora a média seja mais baixa e ronde os 20. É uma espécie muito resistente a qualquer tipo de doença.
Gostam muito do sol e detestam o frio. Nidificam em cavidades de árvores. Os
casais são inseparáveis, formando-se quase sempre para toda a
vida.
O
PERIQUITÃO–DE-CABEÇA-AZUL
Aratinga
acuticaudata
Classificação
científica
Reino:
Animalia
Filo:
Chordata
Classe: Aves
Ordem: Psitaciformes
Família: Psittacidae
.
Género: Aratinga
Espécie: Aratinga acuticaudata
Características
Não confundir com o mais estridente e abundante periquito-de-colar, referido anteriormente, de facto, distingue-se pelo seu tamanho ligeiramente menor, pela coloração da cabeça, do bico e das patas, pelas vocalizações e, sobretudo, pelas penas caudais avermelhadas. Há observações em Évora e Faro, mas é em
Lisboa que a espécie prospera. Originário da América do Sul, e fugido do cativeiro, as primeiras observações remontam a 1998, no
Jardim da Estrela, onde existiam pelo menos sete
indivíduos como refere Rafael Matias no livro Aves exóticas que nidificam em Portugal
Continental (2002). Em 2007 figurava na
categoria E3 da Lista Sistemática das Aves
de Portugal Continental (publicada no Anuário Ornitológico) , ou seja a de “espécies observadas de forma ocasional sem indícios de reprodução”. A verdade é que o periquitão-de-cabeça-azul é já presença
regular em vários jardins da capital (Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, Jardim do Torel, Tapada da Ajuda, Jardim do Campo Grande, Quinta das Conchas, Jardim Amália Rodrigues e também na Tapada das Necessidades). Daí que, e como escreve Rafael Matias no Anuário Ornitológico (2011), é “improvável que não haja reprodução em
liberdade”.